As colunas sociais de Carnaval representam um dos momentos mais vibrantes do design editorial no jornal impresso. É o momento em que nós, diagramadores, podemos usar cores intensas, tipografias expressivas, fotografias em destaque e elementos gráficos festivos que transformam a diagramação tradicional em um verdadeiro espetáculo visual.
Neste ano, confeccionei cinco colunas seguidas para o jornal A Tribuna. Uma para o Leonardo Delfino, duas para Marcio Barbuy e duas para Cristina Guedes. Cada colunista tem uma linguagem diferente e um público próprio.
O desafio é não ser repetitivo, buscando sempre criar algo diferente mas que siga a linha carnavalesca. Pensar em um layout, ainda que festivo, mas sem esquecer que é um produto editorial. A hierarquia visual e a construção gráfica das páginas sociais não são apenas registros fotográficos, mas também identidade, pertencimento e memória coletiva.
As páginas de Carnaval das colunas sociais revelam muito mais do que rostos sorridentes e registros festivos. Elas constroem uma narrativa visual sobre pertencimento, espetáculo e identidade local. No conjunto da obra, o que se percebe é um projeto gráfico que abraça o excesso — mas um excesso calculado, coerente com o espírito da festa.
Carnaval como linguagem visual
Quando criei as páginas, a ideia foi que o primeiro aspecto que saltasse aos olhos fosse o uso explícito de elementos gráficos carnavalescos: máscaras, serpentinas, confetes, plumas, explosões de cor e tipografias sinuosas. Esses elementos não aparecem apenas como enfeite, mas como parte estrutural da página. Eles ocupam áreas centrais, invadem margens, criam molduras e ajudam a conduzir o olhar.
A intenção foi clara: romper com a sobriedade tradicional do jornal impresso. O fundo branco, característico das páginas editoriais, é tensionado por cores vibrantes — magentas, amarelos, verdes e azuis saturados — que criam contraste e dinamismo. O Carnaval se torna a própria lógica estética da diagramação.
A centralidade da imagem
O ponto principal de uma coluna social é a imagem, a supremacia da fotografia. Para isso, procurei criar as páginas quase como se fossem álbuns sociais diagramados, deixando o texto como apoio, mas tendo as imagens como personagens principais da narrativa.
Nessa linha, segui três estratégias recorrentes:
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Fotos em destaque central, geralmente maiores, que funcionam como âncoras visuais.
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Colagens com molduras inclinadas, remetendo a álbuns pessoais ou redes sociais.
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Recortes com fundo vazado, que aproximam os personagens do leitor e eliminam a rigidez da caixa retangular tradicional.
Acredito que essa diversidade cria ritmo. O leitor não percorre a página de forma linear; ele passeia por ela.
Tipografia: entre o festivo e o editorial
Outro quesito crucial na elaboração das páginas é a escolha tipográfica. Busquei usar os títulos principais com fontes mais expressivas, curvas, com sombra ou contorno. Já os textos corridos e legendas mantêm fontes limpas e legíveis, preservando a natureza jornalística. A ideia foi criar equilíbrio que impede que a página descambe para o amadorismo. Mesmo com brilho, plumas e explosões gráficas, ainda se trata de jornal.
O discurso visual do pertencimento
As imagens reforçam um aspecto essencial da coluna social: reconhecimento. Não são celebridades distantes, mas figuras locais, empresários, casais, autoridades, amigos. O enquadramento quase sempre é frontal, com sorriso direto para a câmera. Isso cria proximidade. O Carnaval aparece como cenário legitimador. A camisa temática, o camarote identificado, a passarela do samba ao fundo — tudo funciona como selo simbólico de participação em um evento importante da cidade.Visualmente, a mensagem é clara: estar ali é pertencer.
Excesso como estratégia
Do ponto de vista do design, apostei no conjunto do preenchimento intenso do espaço. Como um salão onde ocorre o baile, o camarote cheio, a passarela lotada. Raramente há áreas de respiro generosas. Confetes e grafismos ocupam cantos, molduras e intervalos. É uma escolha consciente que visa, no contexto carnavalesco, comunicar energia, movimento, calor humano. Funciona quase como tradução gráfica do som alto, da bateria, da multidão.
Jornal impresso dialogando com estética digital
Outro ponto que busquei foi a aproximação com a linguagem das redes sociais. Fotos recortadas, molduras inclinadas, colagens e cores vibrantes dialogam com a estética do feed digital. A coluna social impressa entende que disputa atenção com telas — e responde a isso com impacto visual. A ideia é tornar o impresso tão instagramável quanto o próprio evento que cobre.
No conjunto, acredito que as páginas constroem um produto visualmente coerente com o espírito do Carnaval: vibrante, afetivo, expansivo. Não há neutralidade estética. A diagramação assume o clima da festa e o transforma em linguagem gráfica. Mais do que registrar foliões, essas colunas constroem memória social. Cada foto, cada legenda, cada nome publicado reforça vínculos e projeta status.
Visualmente, o Carnaval não está apenas nas imagens. Está na estrutura, na cor, na tipografia e na ocupação do espaço. É jornalismo social entendido como espetáculo gráfico — e, dentro dessa proposta, o conjunto se mantém consistente, reconhecível e alinhado ao tema.


















































