sexta-feira, 11 de setembro de 2026

25 anos do 11 de Setembro. A força visual da capa e da página especial de A Tribuna

 Há acontecimentos que desafiam o design editorial. O 11 de Setembro de 2001 é um deles. Vinte e cinco anos depois,  a gente tem de pensar e repensar como ilustrar na capa de A Tribuna um dos piores acontecimentos da história da humanidade. Escolher não apenas relembrar os ataques ao World Trade Center, mas construir visualmente uma narrativa sobre memória, impacto e a passagem do tempo.

Na edição de hoje de A Tribuna, a capa e a página interna especial trabalham juntas, mas com propostas bastante diferentes.

Na a capa, abri mão de imagens na área central, deixando duas colunas livres, justamente para criar a referência às torres, numa espécie de silêncio antes da informação. Em vez de utilizar imediatamente fotografias dos prédios, dos aviões ou da destruição, o projeto cria duas grandes áreas verticais muito claras, posicionadas no centro da página que se tornam silhuetas arquitetônicas abstratas. Mas o desafio era transformar esse vazio em informação.

Uma solução visual que fizesse com que o leitor tivesse a leitura de que as torres estão presentes justamente porque não estão mais ali.

Essa medida também conversa muito bem com a própria natureza do acontecimento. O World Trade Center era uma presença arquitetônica monumental na paisagem de Nova York. Ao retirar as torres da fotografia e transformá-las em espaços vazios, o design desloca a discussão da imagem documental para a memória.



Na página interna o projeto muda completamente de comportamento. 

Se na capa trabalhei com com branco e áreas invisíveis para que o leitor tivesse um impacto visual claro mas sem chocar,  o layout interno usa o fundo preto para criar imediatamente uma ruptura com o restante do jornal.

O uso das Torres Gêmeas como suporte ao texto deixa claro ao leitor o tema da reportagem.  Mas elas eram necessárias para compor o layout. O título, também usado na capa, é uma repetição deliberada e proposital. Assim, as duas páginas passam a funcionar como partes de um mesmo projeto editorial.

Para compor melhor o layout, o uso das imagens se fez necessário. A fotografia do avião atingindo a segunda torre ocupa uma posição dominante no lado direito, sendo a imagem documental que ancora toda a narrativa, com enorme força visual. Mas optei por não usar a fotografia grande, mas sim, ao lado dos textos, depoimentos e outras fotografias.

Dessa forma, o texto aplicado sobre as torres se transforma na imagem-símbolo da narrativa.

Nesse layout, procurei usar três elementos de formas diferentes para dar movimento à página.

1 - Os quatro retratos circulares são uma das soluções gráficas mais interessantes da página, quebrando a predominância dos retângulos — fotografia principal, colunas de texto e reprodução da capa antiga — criando ritmo dentro da composição.

2 - A reprodução da antiga capa de A Tribuna de 2001, com a manchete Dia do terror, tem o impacto visual e se torna o elemento mais importante para o conceito de memória. O jornal de 2026 olha para o jornal de 2001.

3 - A linha do tempo, na silhueta de Nova York funciona como uma base visual para a cronologia. As torres aparecem novamente incorporadas à paisagem, e os horários  (8h46, 9h03, 9h59 e 10h28) conduzem o leitor pela sequência dos acontecimentos.

 O que eu tentei criar com essas páginas foi o contraste entre elas mas ainda assim, relacioná-las.

A capa faz o leitor imaginar. A página interna faz o leitor lembrar.


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E MAIS: OS JORNAIS DO MUNDO NO DIA 11 DE SETEMBRO DE 2001


25 anos depois, os jornais americanos olham novamente para o 11 de Setembro

 Vinte e cinco anos depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, os jornais norte-americanos voltam a colocar o World Trade Center no centro de suas capas. Mas, desta vez, a abordagem é diferente daquela de 2001: não há o choque da notícia, e sim a memória, a lembrança, as homenagens e a pergunta: o que mudou e o que aprendemos com as marcas deixadas por uma tragédia que transformou os Estados Unidos?

Nas capas de hoje, 11 de setembro de 2026, a imagem das Torres Gêmeas continua sendo um poderoso elemento gráfico. De alguma forma, elas, as torres, se fazem presentes. Fotografias, silhuetas, memoriais e referências às vítimas aparecem como símbolos de uma história que permanece na memória de todos. O tratamento visual tende a ser mais sóbrio e contemplativo, deixando que a fotografia e o espaço em branco tenham um papel tão importante quanto os títulos.

É interessante observar como o jornalismo impresso transforma uma data histórica em linguagem visual. Depois de 25 anos, o desafio não é simplesmente mostrar novamente a destruição das torres, mas encontrar uma imagem capaz de representar memória, ausência e passagem do tempo.

As capas americanas de hoje mostram que, para o design editorial, algumas imagens ultrapassam a condição de fotografia e se tornam símbolos permanentes de uma época.

















VEJA TAMBÉM AS CAPAS DOS JORNAIS NO DIA 11 DE SETEMBRO DE 2001


E MAIS: VEJA COMO FOI CRIADO O PROJETO DE CAPA E PÁGINA INTERNA DE A TRIBUNA SOBRE OS 25 ANOS DO ATAQUE AO WTC

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Moraes e Vorcaro. A mesma notícia, diferentes maneiras de chamar a atenção

As capas dos jornais brasileiros de hoje em comum o tema principal de seus layouts: o vazamento de mensagens envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. E como os jornais brasileiros apresentaram em suas páginas o assunto?

Cada jornal encontrou uma maneira própria de construir visualmente a notícia. Do ponto de vista gráfico, é esse contraste que torna a observação interessante. A notícia pode ser a mesma, mas a leitura proposta ao leitor não é. O tamanho da fotografia, a posição da manchete, o uso do branco e até a quantidade de elementos ao redor ajudam a determinar o peso que aquela história terá na percepção de quem passa os olhos pela banca.

Entre as soluções apresentadas hoje, as capas que conseguem combinar impacto e síntese são, visualmente, as mais eficientes. Não necessariamente são as que usam a maior foto ou o maior título, mas aquelas que conseguem criar uma hierarquia clara e fazer o leitor entender rapidamente qual é o assunto principal.

O Jornal de Brasília, por exemplo, não utiliza foto, mas consegue através da reprodução de um celular, aproximar o leitor da notícia, como também fez o Estado de Minas, que somente com a manchete já diz tudo (ainda que eu ache que ela se perde no meio da página, espremida pelos blocos de texto.

Abaixo, as capas de hoje dos jornais brasileiros.





















LEIA TAMBÉM A CONCEPÇÃO DA CAPA DE A TRIBUNA COM A SILHUETA DE MORAES COM ELEMENTO ESSENCIAL DO DESIGN.







O impacto visual da silhueta no design editorial da capa de A Tribuna


 As capas dos jornais brasileiros desta quarta-feira têm um ponto em comum: o vazamento de mensagens envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. O assunto virou uma das principais histórias do dia e era claro que seria manchete nas capas de hoje.

VEJA NO LINK AS CAPAS DOS JORNAIS BRASILEIROS DE HOJE

Em A Tribuna, optamos por um design diferente para fugir do comum. Apostamos em uma solução visual bastante forte: uma fotografia única, tratada graficamente como silhueta, funcionando praticamente como toda a capa. Procuramos com isso ter resultado é dramático, direto e coerente com a natureza da notícia. Algo como sombrio, escuro, não tão claro e definido.

Assim, pensamos em dar à fotografia o peso que ela merece, tornando-a o mérito visual da capa. Em vez de utilizar duas fotografias (uma de cada personagem), ou mesmo uma montagem convencional, optamos uma única imagem composta pela silhueta do ministro, abrangendo praticamente a capa toda, em uma solução visual muito mais conceitual do que ilustrativa.

A ausência de detalhes no rosto de Moraes é significativa e proposital. A silhueta é reconhecível. O layout não depende da identificação fotográfica convencional. O leitor reconhece os personagens pela forma e, principalmente, pela informação textual. O preto da silhueta cria ainda uma atmosfera de mistério, tensão e gravidade, bastante adequada a uma notícia envolvendo mensagens, relações e investigação.

Escolhida a imagem e o conceito, optamos por distribuir todo o material editorial do tema (manchete, texto e frases) dentro da silhueta, tomando o cuidado para não poluir visualmente e manter a hierarquia, criando uma espécie de três zonas de informação: manchete e linha, texto, frases.

Dessa maneira a fotografia deixou de ser apenas uma ilustração para o layout, mas integrou perfeitamente a narrativa visual da capa.

Na minha modesta opinião, eu acho que essa capa é eficiente porque não há excessos. Nada tenta competir com nada. Tudo se integra. A grande silhueta ocupa praticamente toda a área editorial disponível e estabelece uma enorme área de preto, interrompida apenas pelos textos brancos, criando a relação clássica de alto contraste preto × branco.

Creio que conseguimos criar uma capa com forte impacto visual e boa síntese editorial, onde o acerto está na integração entre manchete + imagem + conceito.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Capas dos jornais brasileiros homenageiam Laura Cardoso e Glória Menezes

Duas gigantes, um mesmo espaço na memória brasileira

A morte de Laura Cardoso e Glória Menezes, duas das maiores referências da dramaturgia brasileira, ganhou um tratamento especial nas capas dos jornais do País. Mais do que simplesmente registrar a perda de duas atrizes consagradas, as primeiras páginas encontraram uma maneira visualmente significativa de reconhecer a dimensão de suas trajetórias: as duas receberam praticamente o mesmo espaço, o mesmo destaque e a mesma importância editorial.

É uma escolha que chama atenção porque, em uma capa de jornal, espaço é discurso. O tamanho de uma fotografia, a posição de um título e a área destinada a uma notícia estabelecem uma hierarquia de importância. Ao colocar Laura Cardoso e Glória Menezes lado a lado, com retratos de dimensões semelhantes e tratamento gráfico equivalente, os jornais brasileiros deixam evidente que não se trata de uma homenagem a uma única grande estrela, mas à perda simultânea de duas gigantes de uma mesma geração da cultura nacional.

Visualmente, as capas encontram soluções diferentes para construir uma mesma ideia de equilíbrio. Os rostos das duas atrizes ocupam áreas de grande visibilidade e estabelecem entre si uma relação de equilíbrio. Não existe uma imagem claramente dominante ou uma personagem secundária. A composição faz com que o leitor perceba imediatamente que as duas histórias devem ser lidas juntas.

Essa decisão ganha ainda mais força porque Laura e Glória carregavam trajetórias que atravessaram décadas. Foram presenças constantes no teatro, no cinema e, sobretudo, na televisão brasileira, participando de produções que ajudaram a formar o imaginário de diferentes gerações. Por isso, a proximidade visual criada pelas capas acaba funcionando também como uma representação gráfica de um patrimônio artístico compartilhado.

Os títulos também cumprem um papel fundamental nessa construção. Expressões como “Adeus a duas gigantes” e “Céu de estrelas” sintetizam a dimensão da perda e, ao mesmo tempo, reforçam a ideia de que estamos diante de duas figuras colocadas no mesmo patamar de relevância. A palavra “duas” ganha, nesse contexto, um peso editorial: não há uma homenagem individual acompanhada de uma segunda notícia, mas uma única narrativa sobre duas trajetórias extraordinárias que chegaram ao fim em um intervalo muito curto.

A força dessas capas está justamente na ausência de competição visual. Laura Cardoso não precisa ocupar o espaço de Glória Menezes, e Glória não precisa ocupar o espaço de Laura. Há espaço para as duas. A divisão equilibrada da primeira página transforma a própria composição em uma declaração de reconhecimento.