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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Como os jornais de Santos celebraram o aniversário da cidade em suas capas

O aniversário de Santos é sempre motivo de capas festivas e cadernos especiais nos jornais da cidade. E hoje, 26 de janeiro, dia em que o município comemora 480 anos, trago aqui as capas dos três jornais santistas: A Tribuna, Jornal da Orla e Diário do Litoral.

Falando em A Tribuna, a ideia foi criar um conceito solene, comemorativo. Para isso, usei como elemento principal no layout a fotografia. O uso de uma imagem panorâmica, quase icônica da orla de Santos é a protagonista absoluta na capa, sem outras imagens ou personagens humanos em destaque, somente ela, uniformizando a narrativa do aniversário da cidade. A fotografia de Alexsander Ferraz é uma perfeita leitura simbólica da cidade, apresentando o mar, os jardins da praia, os prédios. Um ângulo limpo, iluminado e com profundidade que valoriza a capa e facilita a aplicação de título e texto. Com isso, a manchete ganha destaque mas não disputa espaço com a imagem, servindo quase como uma legenda conceitual. E para arrematar, busquei uma diagramação arejada, respeitando o domínio da fotografia, criando um ritmo comemorativo,  arrematado com a aplicação do selo gráfico no alto da página, a identidade visual do 'suplemento' especial. Foi uma capa menos notícia quente e mais memória histórica.


O Jornal da Orla apresenta uma capa que cria proximidade com a data, com a manchete e a foto principal, do navio Cisne Branco, que veio a Santos justamente devido ao aniversário do município. E uma bela imagem, mas menos representativa da cidade como um todo. A diagramação optou por um layout mais compacto, com mais imagens relacionadas a outros assuntos. Acabou sendo uma primeira página normal, de um dia comum. Cumpre o papel informativo, mas não transforma o aniversário de Santos em ícone visual


Na capa do Diário do Litoral, o aniversário de Santos ocupa um espaço secundário. Uma bela imagem aérea da orla, mas com menor impacto emocional. A foto divide a atenção com outras matérias, não exercendo o papel de protagonista, funcionando como uma ilustração ao tema, que não é nem mesmo o assunto principal do layout, que é bastante fragmentado, com muitos blocos, chamadas e hierarquias concorrendo. Uma capa jornalística, mas fraca como comemorativa.








Design e Memória: Capas Históricas do Jornal A Tribuna no Aniversário da Cidade de Santos

O aniversário da cidade de Santos sempre foi um momento simbólico para a imprensa local, e o jornal A Tribuna desempenha um papel central nesse registro histórico. Ao longo das décadas, suas capas comemorativas não apenas noticiaram a data, mas também refletiram transformações culturais, gráficas e editoriais que acompanharam a evolução da cidade e do próprio design jornalístico.

Nesta compilação, reunis capas de A Tribuna publicadas em diferentes anos no aniversário de Santos, criando um panorama visual que evidencia mudanças de tipografia, uso de cores, fotografia, ilustração e hierarquia da informação. Mais do que um arquivo histórico, o conjunto funciona como um estudo de design editorial, revelando como cada época se expressa graficamente e como o jornal constrói, ano após ano, a memória visual da cidade.

É interessante ver como a própria notícia do aniversário da cidade, ao longo dos anos passa por variações claras de hierarquia visual e peso editorial. Em determinados momentos. a notícia ganha peso editorial, assumindo posição central, com maior área de destaque, títulos em corpos tipográficos ampliados e forte presença iconográfica. Em outros momentos, a data é tratada como informação secundária, com menor escala, posicionamento periférico e menor contraste visual. Essas escolhas refletem decisões editoriais, mudanças na linha gráfica do jornal e o contexto informativo de cada época, evidenciando como a importância simbólica da data é traduzida graficamente na capa.

Abaixo uma compilação de capas de A Tribuna, desde a década de 40 até o dia de hoje, 26 de janeiro de 2026. Destas, tenho muito orgulho de ter diagramado algumas dessas capas históricas.





































 

domingo, 4 de janeiro de 2026

Uma imagem, duas capas: como os guarás vermelhos ganharam leituras diferentes em A Tribuna e O Estado de S. Paulo


 A mesma fotografia, dois jornais, dois sentidos. O bando de guarás-vermelhos que estampou a capa de A Tribuna no começo do mês passado, foi publicada também na capa de O Estado de S. Paulo de ontem. Uma imagem de divulgação, que é um claro exemplo de como a imagem, sozinha, não determina a narrativa visual de uma primeira página. O que muda é o tratamento editorial: escala, recorte, relação com a tipografia e posição no grid. Nesta comparação, a foto deixa de ser apenas registro da natureza para revelar como projetos gráficos distintos transformam um mesmo clique em mensagens diferentes, refletindo identidades, públicos e intenções editoriais.

Em ambas as capas, a fotografia dos guarás-vermelhos pousados em galhos funciona como símbolo visual central. A imagem tem características muito fortes, como a cor vermelha dominante; a composição diagonal dos galhos criando uma linha ascendente que conduz o olhar; ritmo visual com a repetição das aves ao longo do galho criando cadência e equilíbrio; carga simbólica da natureza, do retorno ambiental, a exceção visual em meio ao noticiário.


Em A Tribuna a foto foi usada para ser a protagonista gráfica. A capa foi pensada a partir da imagem. O enquadramento interfere em todo o layout. A imagem é recortada e reposicionada de forma muito mais agressiva, como se os guarás invadissem as áreas de texto, títulos e chamadas, rompendo o grid tradicional.

A foto deixa de ser contemplativa e passa a ser elemento narrativo ativo, onde os guarás se tornam quase que personagens da capa, e não meramente ilustração, resultando numa ousadia editorial, sobrepondo e dialogando com o restante da capa.



Já no Estadão A imagem ocupa uma grande faixa horizontal central, respeitando o grid tradicional do jornal., não invadindo títulos ou colunas, tendo sua área claramente delimitada entre as chamadas. A fotografia funciona como contraponto visual à densidade textual e à manchete dura., atuando como uma ilha, suavizando o impacto do noticiário político e econômico.

A foto foi usada da forma tradicional, clássica e elegante, seguindo o padrão editorial do jornal.

E vc? Qual capa prefere?

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Capas de jornais de Ano-Novo. As primeiras páginas de 2026

 Começando o novo ano com uma compilação de capas  dos jornais brasileiros. Com layout especial ou não, simples ou ousadas, criativas ou factuais, as primeiras páginas deste 1 de janeiro de 2026.

Em A Tribuna, eu pensava em fazer algo que explorasse o grafismo e as possibilidades do papel. Mas, diante da bela imagem do fotografo Alexsander Ferraz, optei um explorar a foto, deixando-a na página toda, com pouco texto e sem 'firula' alguma, valorizando o fotojornalismo. A ideia foi criar uma capa sensível para fugir do óbvio festivo e apostar no significado, seguindo a narrativa visual da criança brincando na areia e construindo o futuro.