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terça-feira, 28 de julho de 2026

15 anos do Santos 4 x 5 Flamengo (2011) . As capas dos jornais que eternizaram um dos jogos mais espetaculares da história

Veja como os jornais de Santos e Rio de Janeiro retrataram, em 28 de julho de 2011, um dos maiores jogos da história do futebol brasileiro.



Santos 4 x 5 Flamengo em números

📅 27 de julho de 2011

🏟 Vila Belmiro

⚽ Neymar (2)

⚽ Ronaldinho (3)

🥇 Gol vencedor do Prêmio Puskás


O JOGO

Em 27 de julho de 2011, Vila Belmiro foi palco de um dos jogos mais espetaculares da história. Santos 4 x  5 Flamengo. A partida foi espetacular não apenas pelo placar, mas pela forma como foi construído, com viradas, golaços e o duelo de dois craques de gerações diferentes em campo. Do lado santista o ainda novato Neymar. Do lado rubro-negro, o bruxo, aclamado e reverenciado como um dos maiores deste esporte, Ronaldinho Gaúcho.

E no dia seguinte, 28, os jornais  contaram histórias completamente diferentes. Enquanto o Rio celebrava uma virada épica do Flamengo de Ronaldinho Gaúcho, os jornais destacava um espetáculo inesquecível, marcado pelo talento de Neymar e por um dos maiores jogos já disputados no Campeonato Brasileiro.

Mas vamos analisar com imparcialidade as primeiras páginas dos jornais de Santos e do Rio de Janeiro de 28 de julho de 2011, o dia seguinte ao jogo.



OS JORNAIS DO RIO

Em primeiro lugar é preciso que se diga: a equipe carioca ganhou no campo e os jornais cariocas ganharam nas bancas (sim, naquele ano, a venda em bancas ainda era forte para os jornais impressos). As capas retratam a euforia pela vitória, quase beirando o ufanismo.

O Lance! entendeu a magnitude da partida, publicando sua primeira página em pôster, causando o impacto visual aos leitores equivalente ao que o jogo causou nos torcedores. As palavras espalhadas pela página mostram que não há um único adjetivo que possa expressar o que foi a partida. E a escolha da fotografia, colocando Ronaldinho Gaúcho de costas, mostrando a camisa 10, tão famosa no mundo do futebol, cria uma espécie de página lendária. Um solução limpa e criativa, aproveitando a estrela ao fundo.


O Meia Hora se manteve fiel à sua identidade popular, não temendo em usar uma manchete provocativa e direta: CHUPA, NEYMAR! A imagem dos jogadores abraçados na metade superior da página dá volume e energia ao layout.


O Extra seguiu a linha de interagir com a massa, criando uma capa que funciona muito bem junto aos leitores fanáticos, com manchete em letras grandes e sólidas que salta aos olhos, parece pular do papel.








OS JORNAIS DE SANTOS

Confesso que estava trabalhando neste dia, mas não me recordo de ter feito a primeira página de A Tribuna. Na época, eu não era o capista. Fazia a capa somente aos finais de semana, cobrindo a folga do chefe e do subchefe do setor.

Mas olhando com imparcialidade, A Tribuna perdeu feio para os outros jornais. Um excesso de conservadorismo que fazia parte do jornal na época. Faltou ousadia, criatividade, soltar as amarras. Deixar de lado a derrota do time da cidade e enfatizar o jogo histórico.

A escolha do título normal, até acanhado, foi completamente errada. Parece querer esconder a vitória do Flamengo, tanto que não fala em derrota do Santos ou vitória do clube carioca. Foi meio como tapa o sol com peneira, tentar esconder o resultado negativo da equipe da cidade, principalmente porque estava vencendo por três gols de vantagem.

Além disso, a foto escolhida não diz nada. O ideal seria uma foto em que mostrasse o duelo entre Ronaldinho Gaúcho e Neymar, ou a comemoração de ambos: O santista fez um gol  que depois recebeu o Prêmio Puskás ( O primeiro gol de Neymar naquela noite foi eleito o Prêmio Puskás de 2011, concedido pela FIFA ao gol mais bonito do ano. Se você ainda não viu (ou quer rever), vale assistir à jogada completa)

Ronaldinho Gaúcho, por sua vez, surpreendeu a todos ao cobrar uma falta rasteira, fazendo com que a bola passasse por baixo da barreira. Mas, para a capa, não foi escolhida nenhuma dessas imagens.

A Tribuna falhou visualmente em transformar esse registro histórico em um fato comum, sem destaque, se perdendo no meio das outras chamadas e fotos, sem destaque algum.


O outro santista, o Expresso Popular, foi um pouco além que A Tribuna, mas também deixou a desejar. A chamada ficou perdida na capa, no meio de tantas outras, perdendo todo o impacto visual, tirando o peso da partida de 9 gols. O título é perfeito, mas some no layout. Assim como A Tribuna, o Expresso não deu o merecido destaque ao jogo histórico, que até hoje é lembrado, não só por santistas e flamenguistas, mas também por torcedores de outros times.



Quinze anos depois, o 5 a 4 continua sendo lembrado não apenas pelos nove gols, mas pela forma como foi contado nas bancas de jornal. As capas preservam a emoção daquela quarta-feira e revelam que o jornalismo esportivo também escreve a história por meio do design.










segunda-feira, 20 de julho de 2026

Capas dos jornais brasileiros repetem a mesma fórmula para destacar o título da Espanha na Copa do Mundo 2026

Quando um acontecimento do tamanho de uma final de Copa do Mundo acontece, espera-se que os jornais aproveitem a oportunidade para mostrar toda a força do design editorial. Afinal, uma capa histórica tem o poder de entrar para a memória do leitor tanto quanto a própria partida.

No entanto, as capas dos jornais brasileiros que destacaram a conquista da Espanha na Copa do Mundo de 2026 seguiram praticamente o mesmo roteiro: a tradicional fotografia da equipe levantando o troféu ocupando o alto da página, acompanhada de um título celebrando o título espanhol. A repetição foi tão grande que, em muitos casos, bastava trocar o logotipo do jornal para que as capas parecessem versões da mesma ideia.

E não me excluo dessa mesmice não. A capa que confeccionei para A Tribuna segue essa mesma linha. Talvez  por ser a fórmula que sempre deu certo, ou ainda por segurança de algo que foi feito antes e funcionou, evitando assim o risco de criar algo diferente e dar errado.

É claro que a imagem da taça erguida representa o momento máximo do futebol e dificilmente deixaria de aparecer. O problema não está na fotografia em si, mas na ausência de uma interpretação gráfica capaz de transformar esse instante em uma capa memorável. Em um cenário em que praticamente todos fizeram a mesma escolha, faltou ousadia para explorar enquadramentos diferentes, ilustrações, conceitos visuais ou soluções tipográficas que diferenciassem cada publicação.

Grandes acontecimentos costumam revelar os jornais que apenas registram a notícia e aqueles que conseguem contar uma história por meio do projeto gráfico. A conquista da Espanha mostrou que, apesar da importância do fato, predominou uma certa previsibilidade nas bancas. E justamente por isso vale observar essas primeiras páginas: elas revelam como o excesso de consenso pode fazer até um momento histórico perder parte do seu impacto visual.

As capas dos jornais espanhóis após a conquista da Copa

Somente dois jornais fugiram um pouco desse caminho, os dois com uma linha mais popular: o Extra e o Meia Hora, que procuram brincar com a famosa foto de Messi dando banho em Yamal há anos. Fora isso, tudo igual, inclusive o exagero do Correio* que parece não ser da Bahia, mas sim da Espanha.

Aqui no Se Vira Design, reuni essas capas para vermos como os jornais brasileiros retrataram o título da Espanha e discutir até que ponto a busca por segurança acabou deixando de lado a criatividade que uma Copa do Mundo merece.





























domingo, 19 de julho de 2026

Como os jornais espanhóis celebraram o título da Espanha na Copa 2026

Espanha venceu a Argentina e conquistou a Copa do Mundo de 2026. São estes momentos que fazem com que os capistas tenham liberdade para criar layouts especiais, diferentes, históricos.

Neste post não vou analisar as capas, dizer que poderiam ter sido melhores, mais ousadas, mais criativas. Até porque, sempre acho que os capistas ligam o piloto automático e acabam utilizando a famosa foto da comemoração, do time todo, com o troféu na mão e papeis picado caindo sobre suas cabeças. São escolhas gráficas e editoriais que já estão incrustradas nas redações. Confesso que eu tentaria fazer diferente, mas não sei se conseguiria fugir dessa linha.

Como os jornais brasileiros retrataram o título da Espanha


Então, faço aqui uma compilação de primeiras páginas dos jornais espanhóis, reforçando o papel de documento da história que os jornais possuem.