segunda-feira, 16 de março de 2026

Os 70 anos de Grande Sertão: Veredas e a criação de uma página especial sobre o clássico de João Guimarães Rosa

Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, completa 70 anos de publicação e mereceu uma reportagem especial, de autoria de Ronaldo Vaio, em A Tribuna.



E para criar esta página especial procurei construir uma linha visual que dialogasse diretamente com o universo da obra de João Guimarães Rosa. Minha intenção não foi apenas ilustrar a reportagem, mas criar uma composição gráfica que evocasse o sertão, seus símbolos e a atmosfera literária do romance.

O ponto de partida foi a referência histórica da primeira edição do livro, ilustrada por Poty Lazzarotto. Não foi uma cópia, e sim uma inspiração. E a partir disso, desenvolvi ilustrações em traço preto e branco, buscando um estilo que remetesse à gravura e à rusticidade gráfica associada ao sertão. Rabisquei no papel, mas como não sou ilustrador, fiz uso da tecnologia para melhorar os desenhos. Os personagens, objetos e símbolos presentes na página, como o jagunço, o revólver, o diabo e a caveira, funcionam como elementos narrativos que remetem aos conflitos, dilemas morais e à violência presentes na história.

Também procurei inserir elementos naturais que evocassem a paisagem das veredas. As folhas de buriti espalhadas ajudam a criar unidade visual entre os dois lados da página e trazendo a vegetação do sertão para dentro da composição.

A estrutura da diagramação diagramação da página foi pensada para conduzir o olhar do leitor. À esquerda, concentrei a reportagem principal, ancorada por um título forte sobre fundo vermelho, que marca visualmente o tema da página. No centro, inseri uma coluna com comentários de escritores e especialistas, cujo conteúdo acrescenta diferentes perspectivas sobre a obra.

Na página da direita, organizei conteúdos complementares — sinopse, biografia de João Guimarães Rosa e frases marcantes do livro, criando diferentes portas de entrada para o leitor. A gravura da paisagem do sertão foi posicionada nesse espaço como uma espécie de pausa visual, uma janela para o cenário que permeia toda a narrativa do romance.

A escolha das cores também foi pensada para reforçar esse ambiente. O vermelho destaca o título e casa perfeitamente com a capa original do livro, trazendo intensidade dramática; o amarelo remete à terra do sertão; o verde das folhas sugere as veredas; e o preto das ilustrações mantém a referência à gravura tradicional usada por Poty.

Mais do que uma simples página de jornal, procurei construir uma composição que dialogasse com o imaginário do sertão e com a força literária de Grande Sertão: Veredas, uma obra fundamental da literatura brasileira.

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