Durante mais de uma década, as capas de A Tribuna acompanharam os momentos mais marcantes de Neymar com a camisa da Seleção. Nesta retrospectiva, revisamos como o jornal santista transformou cada capítulo dessa história em narrativa visual.
Neymar, assim como o Rei Pelé, surgiu para o futebol no Santos. E como A Tribuna é o principal jornal da cidade, foi natural que toda a sua carreira tivesse destaque nas capas e nas páginas do jornal, tanto desde os primeiros passos no peixe, como suas partidas pelo Barcelona, PSG, Al-Hilal e a volta do time do Santos.
RELEMBRE AS CAPAS DE A TRIBUNA COM A VOLTA DE NEYMAR AO SANTOS.
Mas falando em Seleção Brasileira, Neymar anunciou ontem que aposentou a camisa amarelinha. Ele não mais jogará pela Seleção. E durante a trajetória, cada convocação foi parar na capa de A Tribuna. Neymar sempre foi o foco das atenções e das fotos. Por isso, a história dele se torna, nas primeiras páginas de A Tribuna, um momento histórico e uma narrativa visual de anos dedicados ao Brasil.
A minha ideia, caso o anúncio de Neymar tivesse bastante destaque na capa, seria usar a camisa dele em um fundo escuro, como se estivesse sendo aposentada, assim como fazem os times de basquete norte-americanos da NBA.
Seria algo mais ou menos assim:
Mas uma forte rajada de ventos causou destruição e mortes na Baixada Santista. Então, não tinha como a aposentadoria de Neymar da Seleção ter tanto destaque na primeira página.
A EXPECTATIVA PELA PRIMEIRA CONVOCAÇÃO.
Em 11 de maio de 2010, o técnico Dunga convocaria a equipe brasileira para o mundial daquele ano, na África do Sul. A expectativa era grande pela inclusão não apenas de Neymar, mas também de outro jogador santista, Paulo Henrique Ganso, que estavam em destaque na equipe do Santos.
Para essa possível convocação, pensamos em algo diferente na capa de A Tribuna. Um ideia conceitual e minimalista. Como o principal tema da primeira página foi o grande incêndio que atingiu uma favela da cidade. Com isso, o espaço na capa para a chamada de esportes ficou reduzida. Assim, para não poluir a primeira página, a ideia foi criar um bloco com as fotos de Neymar e Ganso, recortadas, sem texto ou título algum. Apenas um autoexplicativo ponto de interrogação entre eles representando o que todo torcedor brasileiro, e principalmente santista, questionava: será que serão convocados?
Não foram!
A PRIMEIRA CONVOCAÇÃO.
A ESTREIA E O PRIMEIRO GOL.
A primeira partida de Neymar pela Seleção principal foi em 10 de agosto de 2010, contra os Estados Unidos. O jogador, mais uma vez, foi o principal elemento da capa, com uma imagem dele sorridente comemorando o gol, seu primeiro com a camisa amarelinha, revelando emoção e expectativa por um futuro brilhante na Seleção Brasileira. Posicionada no centro da página, a foto chama a atenção e atrai o olhar do leitor rapidamente, ainda que o título tenha seguido o padrão, não sendo chamativo.
A PRIMEIRA COPA DO MUNDO.
A estreia de Neymar em Copas do Mundo não poderia ter sido mais apoteótico. Jogando em São Paulo, o Brasil abriu a Copa de 2014 vencendo a Croácia por 3 x 1, sendo o segundo gol marcado por ele, Neymar.
Na capa, mais uma vez, ele foi o elemento principal. A foto, dele ajoelhado comemorando o gol, foi rasgada na página toda, em uma montagem moderna que remete à moldura. O canto e o alto, a imagem fica inteira. Do centro para baixo, um fundo branco foi aplicado para isolar o tema esportivo e agrupar as chamadas dos outros assuntos da capa.
A composição nos permite imaginar, em uma metáfora, que Neymar está dizendo o texto da manchete do jornal, sintetizando o sentimento dele e de todos os torcedores.
A LESÃO.
Uma das capas mais fortes e densas de A Tribuna com Neymar. A fratura na vértebra após entrada violenta do adversário colombiano, que o tirou da Copa de 2014.
A imagem dramática ocupa mais da metade da página. O corte, fechado no rosto de Neymar mostra a dor que não era apenas ele, mas de toda a Nação sentiu. O título, em letras garrafais, era quase um pedido de socorro, um conformismo de quem sabia o que viria pela frente, nos próximos jogos da equipe, sem a presença de Neymar.
A escolha de uma letra em tamanho grande, a proximidade do rosto de Neymar deixam claro que a ideia foi impactar e mostrar que, assim como o jogador, todos estavam sofrendo.
Mas o jornal tem de manter o equilíbrio. Assim, embaixo, as chamadas dos outros assuntos do dia estão presentes para informa ao leitor, ainda que eu, como capista, tivesse preferência por uma capa monotemática, somente com Neymar.
A CONQUISTA DO OURO OLÍMPICO.
Passada a Copa do mundo, os olhos dos torcedores se voltaram para a Olimpíada de 2016 e a busca pela inédita medalha de ouro no futebol. E quis o destino que Neymar fosse mais uma vez protagonista na capa de A Tribuna.
Ainda que fosse um título inédito, a chamada da conquista não teve o peso de ouro. No meio dos demais assuntos do dia, ficou acanhada, perdida. Mas Neymar estava lá, elemento principal e único da foto, comemorando com irreverência, a vitória sobre a Alemanha.
Na minha opinião como capista, a escolha da foto não foi acertada. Uma foto de Neymar com a medalha no peito ou, como muitos fazem, mordendo o prêmio, seria muito mais impactante e efusivo ao leitor do jornal. E também, o espaço deveria ter sido maior, mais abrangente.
A ÚLTIMA CONVOCAÇÃO.
E no dia 5 de julho deste ano, o Brasil foi eliminado da Copa pela Noruega.
Neymar entrou em campo, jogou e fez gol.
Muitos queriam uma foto do jogador ao final da partida, triste, chorando. Eu não achava certo usar esse tipo de imagem. Isso, de uma forma não intencional, poderia colocar a culpa pela derrota e pela eliminação nos ombros de Neymar, o que na minha opinião não seria justo.
Então criamos um layout mostrando a tristeza dos brasileiros. Não apenas dos jogadores, mas dos torcedores também. Em um mosaico mostramos a emoção, o choro, a tristeza e a decepção.
E Neymar, não poderia ficar de fora. Nesse layout ele não teve papel de destaque. Teve o mesmo peso que os demais. Nesse mosaico ele mostra ser humano como todos, que se frustra, se decepciona, se entristece e chora, sabendo talvez, já naquele momento, que aquela era sua despedida da Seleção Brasileira.
Ao reunir essas sete capas, percebemos que um jornal não registra apenas resultados esportivos. Ele documenta a memória de uma cidade, de um ídolo e de uma geração. Mais do que acompanhar Neymar, A Tribuna construiu um arquivo visual que hoje ajuda a contar a história da Seleção Brasileira sob a ótica do design editorial.
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