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quinta-feira, 30 de julho de 2026

Da primeira convocação à despedida. Como A Tribuna registrou a trajetória de Neymar na Seleção Brasileira

Durante mais de uma década, as capas de A Tribuna acompanharam os momentos mais marcantes de Neymar com a camisa da Seleção. Nesta retrospectiva, revisamos como o jornal santista transformou cada capítulo dessa história em narrativa visual.

Neymar, assim como o Rei Pelé, surgiu para o futebol no Santos. E como A Tribuna é o principal jornal da cidade, foi natural que toda a sua carreira tivesse destaque nas capas e nas páginas do jornal, tanto desde os primeiros passos no peixe, como suas partidas pelo Barcelona, PSG, Al-Hilal e a volta do time do Santos.

RELEMBRE AS CAPAS DE A TRIBUNA COM A VOLTA DE NEYMAR AO SANTOS.

Mas falando em Seleção Brasileira, Neymar anunciou ontem que aposentou a camisa amarelinha. Ele não mais jogará pela Seleção. E durante a trajetória, cada convocação foi parar na capa de A Tribuna. Neymar sempre foi o foco das atenções e das fotos. Por isso, a história dele se torna, nas primeiras páginas de A Tribuna, um momento histórico e uma narrativa visual de anos dedicados ao Brasil.

A minha ideia, caso o anúncio de Neymar tivesse bastante destaque na capa, seria usar a camisa dele em um fundo escuro, como se estivesse sendo aposentada, assim como fazem os times de basquete norte-americanos da NBA.

Seria algo mais ou menos assim:




Mas uma forte rajada de ventos causou destruição e mortes na Baixada Santista. Então, não tinha como a aposentadoria de Neymar da Seleção ter tanto destaque na primeira página.

Então, tracei uma espécie de linha do tempo, mostrando os momentos de Neymar com a camisa da Seleção Brasileira nas capas de A Tribuna.


A EXPECTATIVA PELA PRIMEIRA CONVOCAÇÃO.

Em 11 de maio de 2010, o técnico Dunga convocaria a equipe brasileira para o mundial daquele ano, na África do Sul. A expectativa era grande pela inclusão não apenas de Neymar, mas também de outro jogador santista, Paulo Henrique Ganso, que estavam em destaque na equipe do Santos.

Para essa possível convocação, pensamos em algo diferente na capa de A Tribuna. Um ideia conceitual e minimalista. Como  o principal tema da primeira página foi o grande incêndio que atingiu uma favela da cidade. Com isso, o espaço na capa para a chamada de esportes ficou reduzida. Assim, para não poluir a primeira página, a ideia foi criar um bloco com as fotos de Neymar e Ganso, recortadas, sem texto ou título algum. Apenas um autoexplicativo ponto de interrogação entre eles representando o que todo torcedor brasileiro, e principalmente santista, questionava: será que serão convocados?

Não foram!


A PRIMEIRA CONVOCAÇÃO.

Passada a Copa do Mundo da África do Sul e com novo treinador, Neymar teve sua primeira convocação para a Seleção em julho de 2010, pelo treinador Mano Menezes.

Em A Tribuna, a foto foi a dominante na edição do dia, no alto, logo abaixo do logo, mostrando a felicidade de Neymar ao lado de Ganso e André, companheiros de time que também foram convocados. A chamada ganha o destaque necessário numa época em que a primeira página do jornal era repleta de chamadas.




A ESTREIA E O PRIMEIRO GOL.

A primeira partida de Neymar pela Seleção principal foi em 10 de agosto de 2010, contra os Estados Unidos. O jogador, mais uma vez, foi o principal elemento da capa, com uma imagem dele sorridente comemorando o gol, seu primeiro com a camisa amarelinha, revelando emoção e expectativa por um futuro brilhante na Seleção Brasileira. Posicionada no centro da página, a foto chama a atenção e atrai o olhar do leitor rapidamente, ainda que o título tenha seguido o padrão, não sendo chamativo.



A PRIMEIRA COPA DO MUNDO.

A estreia de Neymar em Copas do Mundo não poderia ter sido mais apoteótico. Jogando em São Paulo, o Brasil abriu a Copa de 2014 vencendo a Croácia por 3 x 1, sendo o segundo gol marcado por ele, Neymar.

Na capa, mais uma vez, ele foi o elemento principal. A foto, dele ajoelhado comemorando o gol, foi rasgada na página toda, em uma montagem moderna que remete à moldura. O canto e o alto, a imagem fica inteira. Do centro para baixo, um fundo branco foi aplicado para isolar o tema esportivo e agrupar as chamadas dos outros assuntos da capa. 

A composição nos permite imaginar, em uma metáfora, que Neymar está dizendo o texto da manchete do jornal, sintetizando o sentimento dele e de todos os torcedores.



A LESÃO.

Uma das capas mais fortes e densas de A Tribuna com Neymar. A fratura na vértebra após entrada violenta do adversário colombiano, que o tirou da Copa de 2014.

A imagem dramática ocupa mais da metade da página. O corte, fechado no rosto de Neymar mostra a dor que não era apenas ele, mas de toda a Nação sentiu. O título, em letras garrafais, era quase um pedido de socorro, um conformismo de quem sabia o que viria pela frente, nos próximos jogos da equipe, sem a presença de Neymar.

A escolha de uma letra em tamanho grande, a proximidade do rosto de Neymar deixam claro que a ideia foi impactar e mostrar que, assim como o jogador, todos estavam sofrendo.

Mas o jornal tem de manter o equilíbrio. Assim, embaixo, as chamadas dos outros assuntos do dia estão presentes para informa ao leitor, ainda que eu, como capista, tivesse preferência por uma capa monotemática, somente com Neymar.



A CONQUISTA DO OURO OLÍMPICO.

Passada a Copa do mundo, os olhos dos torcedores se voltaram para a Olimpíada de 2016 e a busca pela inédita medalha de ouro no futebol. E quis o destino que Neymar fosse mais uma vez protagonista na capa de A Tribuna.

Ainda que fosse um título inédito, a chamada da conquista não teve o peso de ouro. No meio dos demais assuntos do dia, ficou acanhada, perdida. Mas Neymar estava lá, elemento principal e único da foto, comemorando com irreverência, a vitória sobre a Alemanha. 

Na minha opinião como capista, a escolha da foto não foi acertada. Uma foto de Neymar com a medalha no peito ou, como muitos fazem, mordendo o prêmio, seria muito mais impactante e efusivo ao leitor do jornal. E também, o espaço deveria ter sido maior, mais abrangente. 



A ÚLTIMA CONVOCAÇÃO.

Após três mundiais e afastado da seleção há tempos, Neymar foi convocado por Carlo Ancelotti, esse ano, para a Copa dos Estados Unidos/Canadá/México.

Diante da grande divisão entre os torcedores que queria a convocação e dos que não queriam, a ideia era usar um grande espaço na primeira página a chamada, principalmente, se o nome de Neymar fosse anunciado.

Como havia outro assunto importante que era o afastamento do prefeito de Santos para cuidar de sua saúde, a manchete não foi Neymar. Mas criamos uma peça que era a pergunta que muitos faziam antes da convocação. No auge da febre das figurinhas, a questão era se a empresa que produzia o álbum iria lançar a figurinha de Neymar. 

E ele foi convocado.

E nós, de A Tribuna, saímos na frente e publicamos a figurinha dele. E para mostrar que ele era a grande esperança do Brasil em conquistar o hexa desde 2014, recriamos as figurinhas de Neymar nas copas anteriores, as que ele participou.

No centro da página e com cores vibrantes, a figurinha de Neymar teve destaque e causou um forte impacto visual, agradando bastante aos leitores do jornal. Ainda assim, o bloco de esportes não tirou a hierarquia da manchete.




O ÚLTIMO JOGO.

E no dia 5 de julho deste ano, o Brasil foi eliminado da Copa pela Noruega.

Neymar entrou em campo, jogou e fez gol.

Muitos queriam uma foto do jogador ao final da partida, triste, chorando. Eu não achava certo usar esse tipo de imagem. Isso, de uma forma não intencional, poderia colocar a culpa pela derrota e pela eliminação nos ombros de Neymar, o que na minha opinião não seria justo.

Então criamos um layout mostrando a tristeza dos brasileiros. Não apenas dos jogadores, mas dos torcedores também. Em um  mosaico mostramos a emoção, o choro, a tristeza e a decepção.

E Neymar, não poderia ficar de fora. Nesse layout ele não teve papel de destaque. Teve o mesmo peso que os demais. Nesse mosaico ele mostra ser humano como todos, que se frustra, se decepciona, se entristece e chora, sabendo talvez, já naquele momento, que aquela era sua despedida da Seleção Brasileira.


O ANÚNCIO.

E para marcar o anúncio da aposentadoria de Neymar da Seleção, a ideia de colocar a camisa dele, como citei no início do post, deve de ser modificada diante da tragédia causada pela ventania na região.

Assim, ainda que acanhada, aplicamos uma imagem do jogador de costas, com a camisa da seleção, o número e seu nome. A última camisa usada por ele, numa referência de estar indo embora, de um adeus.



Ao reunir essas sete capas, percebemos que um jornal não registra apenas resultados esportivos. Ele documenta a memória de uma cidade, de um ídolo e de uma geração. Mais do que acompanhar Neymar, A Tribuna construiu um arquivo visual que hoje ajuda a contar a história da Seleção Brasileira sob a ótica do design editorial.


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segunda-feira, 27 de abril de 2026

Portuguesa Santista se torna gigante nas capas de A Tribuna

Mais uma vez a Portuguesa Santista vira protagonista do futebol da Baixada Santista, conquistando o título da Série A3 do campeonato paulista e também o acesso à Série A2 em 2027. 

E neste momento, nas capas de A Tribuna, a Briosa recebe tratamento mais que especial. Os títulos da Portuguesa Santista funcionam como um estudo claro de como o design editorial pode transformar um time acanhado financeiramente em protagonista absoluto, ao menos por um dia.

O ponto central destas capas está na intenção do jornal de abandonar qualquer neutralidade e assumir o papel de apoiador, torcedor, com forte apelo emocional. A Portuguesa Santista, tradicionalmente vista como um clube de menor expressão, é elevada ao status de gigante. O design não apenas informa o título, mas o celebra, o eterniza.

Nas edições de 2023, A Tribuna fez construção progressiva. A capa pré-jogo à final da Copa Paulista apostou em blocos nas cores da Briosa,  fortes, com o verde dominante e o vermelho como tensão. O título Jogo do século para a Briosa! não é informativo, mas emocional, feito para inflar o sentimento do torcedor. 


Já no dia seguinte, a conquista veio com a explosão de É CAMPEÃ ocupando o espaço da página de uma forma limpa mas ao mesmo tempo vibrante. O escudo do clube serviu como moldura para a taça erguida e a torcida ao fundo, quase como um símbolo, um ícone religioso. Pura celebração.


Neste ano, na final do Paulista da Série A3, buscamos um refinamento dessa narrativa visual. A capa que antecede o título não ocupou tanto espeço na página, mas buscamos usar um recurso interessante: o gesto de abrir a camisa, revelando o escudo, em uma metáfora direta ao orgulho de torcer para a Portuguesa Santista. O texto reforça essa ideia de entrega e paixão. 

A capa de hoje, o dia seguinte, a conquista ganha tratamento ainda grandioso, com uma composição mais limpa, hierarquia bem definida e a imagem central que privilegia a festa coletiva, com a taça e jogadores em êxtase, tudo sobre os blocos nas cores do times, mas com maior respiro.


A Tribuna procurou entender o público, indo pela linha mais passional e menos racional. A capa deixou de ser apenas uma página, virando uma memória afetiva.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Quando o passado encontra o presente. O redesenho de uma capa histórica dos anos 80

O redesign de capas históricas é uma das formas mais eficientes de analisar como o design editorial evoluiu ao longo das décadas. Neste artigo, mostro como a capa de A Tribuna, originalmente publicada em 10 de dezembro de 1980,foi recriada com o padrão visual de 2025, mantendo as mesmas notícias, mas aplicando técnicas atuais de diagramação, tipografia e hierarquia de informação. O resultado evidencia como o design jornalístico mudou e como a experiência de leitura de um jornal impresso se transformou. 



 No dia 10 de dezembro de 1980, A Tribuna, assim como jornais do mundo inteiro, publicava em sua capa a notícia do assassinato de John Lennon. Ao lado da manchete, a chamada sobre a morte do ex-Beatle ganha peso, mas se perde no meio de tantas outras notícias. E para complicar, a foto utilizada é do assassino anos antes do crime, e não de John Lennon.



Mas esse era o padrão visual da época. Muitas chamadas, textos com quase o mesmo peso gráfico, bastante informação ocupando praticamente todo o espaço da página, quase sem áreas de respiros.

E vendo essa capa, fiquei pensando em como seria a capa de A Tribuna nos dias de hoje, com a notícia da morte de John Lennon, com a linguagem visual, o ritmo informativo e os padrões gráficos do jornalismo contemporâneo? 

Essa pergunta me despertou a vontade de criar o processo de redesenho da capa de A Tribuna, publicada em 10 de dezembro de 1980. A ideia foi revisitar aquele momento marcante, tanto para a música quanto para a geopolítica mundial, e recriá-lo com o padrão gráfico de agora, de 2025. 

A primeira página original trazia dois assuntos que dominavam o noticiário naquele fim de ano: o assassinato do ex-Beatle em Nova York e a escalada de tensão no Leste Europeu, com a pressão da União Soviética sobre a Polônia. O visual da época era marcado pelo uso intenso de textos corridos, títulos mais tímidos, fotografia em baixa definição e um grid rígido, característico do jornal impresso pré-era digital.

No redesenho, as capas foram reinterpretadas seguindo os padrões atuais do próprio jornal: tipografias mais limpas, hierarquia visual clara, uso expressivo de chamadas e imagens em alta resolução. 
Criei dois modelos. 

O primeiro, mais tradicional e que segue a linha diária editorial, com manchete, chamadas e o grande destaque para a notícia da morte de John Lennon. O título continua o mesmo, mas ganha novas proporções e um respiro melhor no layout, com utilização da fotografia dele dominando a capa, gerando um destaque emocional visual que não existe na edição de 1980. O músico, que antes nem estava retratado na capa, surge agora em uma imagem nítida que dialoga com a estética editorial da atualidade. A aplicação da imagem do assassino reforça o papel informativo do jornal, mostrando os dois lados da notícia.


Como o objetivo não foi o de reescrever a história, mas mostrá-la sob o olhar gráfico da atualidade, a página teve também as outras chamadas do dia e, a manchete, permaneceu sendo a crise entre a União Soviética e a Polônia, tema que dominava o noticiário geopolítico de 1980.,

A segunda versão experimental tem o meu DNA. É um estilo que gosto muito de fazer. O famoso menos é mais. Uma capa conceitual que se torna uma homenagem a John Lennon. A utilização de versos da canção Imagine, que é um verdadeiro apelo seu apelo à paz, torna o design minimalista. Como imagem, usei não um foto do cantor, mas sim, uma referência tão marcante e ligada a ele, o óculos arredondado.

Essa releitura foge do formato tradicional de capa noticiosa, traduzindo em poucas linhas o impacto cultural que sua morte causou. Nesse modelo, grifei no texto os trechos que falam de motivos para matar ou morrer (que é o tema central da página), religião (o ponto de discordância que foi o motivo do crime) e vivendo  avida em paz (objetivo principal da humanidade).





 Acredito que o resultado final é um exercício de memória visual e editorial: uma ponte entre duas épocas, que revela como os jornais mudaram a forma de apresentar a notícia, principalmente, quando elas causam comoção mundial. Imagino o jornal impresso como uma cápsula do tempo, que pode, e deve. ser reaberta e redesenhada para uma nova geração de leitores.

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Capas de jornais de hoje destacam a condenação de Bolsonaro

Hoje, as capas dos jornais brasileiros se transformam em documentos históricos. A notícia que estampa as manchetes é a condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos é 3 meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por crimes que vão de tentativa de golpe de Estado à abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

O impacto visual e simbólico desse acontecimento exige um tratamento editorial à altura — fotos fortes (das reações, dos ministros votando, das manifestações), manchetes que sejam diretas e responsáveis, e layouts que consigam equilibrar gravidade, clareza e jornalismo rigoroso. Afinal, mais do que informar, a capa funciona como primeiro contato — ela define tom, urgência e empatia.

Para quem elabora as capas dos jornais, esse é um momento desafiador, entre a escolha da linha visual que será utilizada e a linha editorial do veículo. Um exercício de criatividade e seriedade, sempre mantendo o respeito ao fato de que se trata de uma sentença judicial, não de um espetáculo.

Exceção foi o cearense O Povo que usou da tipografia como elemento protagonista de seu layout para causar um forte impacto visual passando de forma clara a mensagem política aos leitores. A imagem de Bolsonaro pequeno e cabisbaixo transmite a ideia de que a democracia se sobrepõe a ele. É uma capa ousada, simbólica e de leitura imediata, com uma força gráfica excepcional.

O carioca Extra também fugiu do habitual criando uma capa para ficar para a história.ou pelo menos, tentando. Mas, ao contrário do O Povo, erraram a mão, exagerando nas informações e criando uma pagina visualmente poluída. A capa é um aperitivo. Uma pequena mostra ao leitor do que ele vai encontrar no miolo. Nesse caso, já foi o banquete todo. Todas as informações estão na primeira página. Nesse caso, a regra do menos é mais séria muito bem aplicada.

Já nos demais jornais brasileiros, a seriedade deu o tom principal dos layouts.

O destaque nessa seriedade é o simbolismo da imagem usada por alguns jornais do ex-presidente em sua casa, atrás do portão. Uma forte narrativa visual:  a conotação de prisão e isolamento. As grades do portão, em primeiro plano, criam uma associação imediata com cela, cárcere, reclusão. Mesmo que Bolsonaro esteja em casa, a imagem sugere que ele já está privado de liberdade, reforçando o peso da sentença.