A MORTE DO PELÉ DO BASQUETE NA CAPA DE A TRIBUNA
Para noticiar a morte de Oscar Schmidt na capa do jornal, foi preciso um certo esforço criativo para sair do óbvio, com as tradicionais fotos do jogador. Mas além disso, foi preciso também sensibilidade, para entender o que significava a morte do Pelé do basquete,
Para isso, em A Tribuna, apresentei como sugestão um caminho mais sofisticado, elegante e emocionalmente eficaz. Usando do minimalismo, do simbólico, da hierarquia visual.
A escolha foi a de não mostrar o rosto de Oscar, mas sim, usar apenas a mão, que tantas alegrias deram aos amantes do basquete. O olhar do leitor passa pela manchete e vai imediatamente para o título `ADEUS, MÃO SANTA`, grande, central e com muito respiro. A mão aberta ocupando quase toda a página é o elemento dominante. A bola de basquete menor, à direita, equilibra a composição e reforça o tema sem competir com a mão e remete ao esporte que consagrou Oscar.
E sim. A mão é de Oscar Schmidt mesmo. Foto feita pelo repórter-fotográfico Marcelo Justo em maio de 2006.
A ausência do rosto evita o óbvio e torna a imagem mais universal e icônica. É uma metáfora limpa de despedida. A mão não é apenas de uma parte do corpo, mas a síntese de uma carreira. A `mão santa` virou signo. Um elemento simples, isolado em fundo limpo, capaz de carregar décadas de história, recordes e memória afetiva. Uma decisão arriscada, mas poderosa. Ao evitar a imagem óbvia, o design ganha em universalidade e confia na inteligência do leitor. É o tipo de solução que transforma uma capa de jornal em peça quase atemporal.

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