A publicação é um exemplo marcante de como o jornalismo da época se aproveitava desses momentos de consternação e apelo popular para criar uma espécie de espetáculo, combinando curiosidade pública, dramatização e uma estética visual carregada de mistério e morbidez.
A composição da manchete descreve ao leitor toda a dramaticidade do momento macabro. Uma composição editorial que de aguça a curiosidade do leitor, desde o título chamativo Mala Sinistra, passando pelo subtítulo e culminando com a linha fina (ou cartola) descrevendo o achado, um corpo de mulher em decomposição.
Estilo visual e tipográfico
As imagens que reforçam o drama
As fotografias publicadas na página causaram forte impacto no público, principalmente a que mostra o corpo dentro da mala, algo que sempre desperto o interesse do ser humano, e ainda hoje, em tempos de internet sem freios, continua atraindo a atenção mórbida das pessoas.
A disposição das fotos espalhadas entre os blocos de texto, sem molduras ou legendas evidentes, aumenta a sensação de caos e urgência que já citei aqui. Penso que esse é um estilo de jornalismo visual de choque.
O impacto estético e histórico
Hoje, essa capa é um documento visual sobre a estética do jornalismo policial e da curiosidade pública. O sensacionalismo gráfico mostra uma imprensa que talvez, não soubesse separar a informação de um espetáculo à comunidade. Visualmente, o resultado é poderoso: uma página densa, quase claustrofóbica, que traduz o espírito de uma época em que o crime, para os capistas, era uma arte tipográfica, com a escolha, aplicação e disposição das letras.

















































