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quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Capas de jornais de Ano-Novo. As primeiras páginas de 2026

 Começando o novo ano com uma compilação de capas  dos jornais brasileiros. Com layout especial ou não, simples ou ousadas, criativas ou factuais, as primeiras páginas deste 1 de janeiro de 2026.

Em A Tribuna, eu pensava em fazer algo que explorasse o grafismo e as possibilidades do papel. Mas, diante da bela imagem do fotografo Alexsander Ferraz, optei um explorar a foto, deixando-a na página toda, com pouco texto e sem 'firula' alguma, valorizando o fotojornalismo. A ideia foi criar uma capa sensível para fugir do óbvio festivo e apostar no significado, seguindo a narrativa visual da criança brincando na areia e construindo o futuro.




























domingo, 7 de dezembro de 2025

Três capas de jornais que enriquecem o domingo

 A análise visual de capas de jornais é uma das ferramentas mais importantes para compreender como o design editorial influencia diretamente a leitura, a percepção da notícia e a força comercial de uma publicação. E o domingo é o dia perfeito para essa função. Afinal, é quando os jornais publicam reportagens especiais que demandam maior tempo de leitura, criam layouts diferentes e criativos para prender a atenção do leitor.

E a primeira página de um jornal impresso de domingo ganha um peso maior, com a função de revelar ao leitor o conteúdo da publicação, atraindo-o através da criatividade, da ousadia, do cuidado visual.

Nesse breve posto, observamos três capas publicadas hoje onde é possível visualizar  como os elementos  hierarquia visual, grid, tipografia, cores e contraste e mancha gráfica são utilizados para construir impacto, organizar a informação e dialogar com diferentes públicos.

Três capas de jornais brasileiros de estados diferentes do País. Sob o ponto de vista do design gráfico editorial, destaque para soluções visuais, escolhas estéticas e estratégias de composição que interferem diretamente na leitura em banca e na experiência do leitor. 


Folha de Pernambuco (PE) – A origem da devoção


Predomínio absoluto da imagem, ocupando toda a capa, com sobreposição de elementos gráficos e transparências. Essa aplicação revela uma linguagem visual com forte apelo artístico e simbólico. A tipografia discreta e funcional, em segundo plano, dá força à imagem. O uso das cores azuis, dourados e tons quentes, criam contraste entre o sagrado e a vibração popular. Uma capa conceitual, mais contemplativa do que informativa, com foco na emoção e na fé.


O Povo (CE) – Para onde Leão XIV começa a levar a Igreja?



Um visual impactante que prende a atenção dos leitores, construído em uma estrutura vertical clássica, com grande área em respiro ao redor do título central. A referência direta à iluminura medieval e arte sacra, com ornamentos detalhados, embelezam e dão requinte à página, criando um layout que se assemelha à capa de um livro. A tipografia tem papel importante e a fonte serifada propiciou uma melhor definição da hierarquia do layout, gerando forte peso editorial à capa, ainda mais com a escolha da paleta de cores envelhecida, com tons terrosos, verdes, dourados e vermelhos, transmitindo tradição e solenidade. É uma capa com forte apelo institucional, histórica e solene, visualmente ligada à tradição e à autoridade religiosa.

A Tribuna (SP) – Os Guarás Vermelhos de Bertioga



Não é a manchete e nem mesmo, uma das principais chamadas da capa. Mas a composição da imagem dos Guarás Vermelhos valorizou a capa de hoje de A Tribuna, que diferente dos modelos acima, manteve a estrutura tradicional de um jornal. com blocos de elementos visuais bem definidos e múltiplas chamadas em sua página. O uso de fotografia recortada dos guarás atravessando o layout, criou um movimento diagonal e deu dinamismo visual à capa. O alto contraste das cores vibrantes enriqueceu o produto, onde a hierarquia das chamadas fica clara, de fácil leitura. É uma capa informativa mas não estática, e sim dinâmica, com leitura rápida, áreas de respiro e um forte apelo visual direto.

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

A Mala Sinistra. O design do século XX narra o crime da mala

O famoso Crime da Mala marcou o início do século XX com uma cobertura intensa e visualmente dramática. Neste post, uma breve análise visual da capa de A Tribuna do dia 8 de outubro de 1928, o dia seguinte ao encontro da mala com o corpo de Maria Féa no Porto de Santos.




No dia 8 de outubro de 1928, o jornal A Tribuna chegava às bancas com sua primeira página toda destinada ao encontro, no dia anterior,  de um corpo feminino em avançado estado de decomposição, dentro de uma das malas que seriam embarcadas no transatlântico francês Massilia, atracado no porto santista com destino à Europa.

Na capa do jornal, a manchete, em caixa alta e tipografia robusta, dominou o topo, com o título chamativo de MALA SINISTRA. Uma capa impactante da imprensa do início do século XX,  não apenas pela escolha da tipografia e dos títulos, mas também pelo vasto material fotográfico publicado na capa.

A publicação é um exemplo marcante de como o jornalismo da época se aproveitava desses momentos de consternação e apelo popular para criar uma espécie de espetáculo, combinando curiosidade pública, dramatização e uma estética visual carregada de mistério e morbidez.

A composição da manchete descreve ao leitor toda a dramaticidade do momento macabro. Uma composição editorial que de aguça a curiosidade do leitor, desde o título chamativo Mala Sinistra, passando pelo subtítulo e culminando com a linha fina (ou cartola) descrevendo o achado, um corpo de mulher em decomposição.

Estilo visual e tipográfico


O layout da página segue o padrão dos jornais de época: colunas estreitas, tipografia serifada e ausência quase total de espaços em branco. A diagramação prioriza a sensação de urgência, e não a leitura fluida. Para os leitores de atuais, o desenho da página pode parecer caótico, desequilibrado e confuso. Mas para a época, está dentro dos padrões, tendo um certo tom sensacionalista, com o uso de um recurso gráfico primitivo, mas poderoso: os títulos.

 As imagens que reforçam o drama


As fotografias publicadas na página causaram forte impacto no público, principalmente a que mostra o corpo dentro da mala, algo que sempre desperto o interesse do ser humano, e ainda hoje, em tempos de internet sem freios, continua atraindo a atenção mórbida das pessoas.

A disposição das fotos espalhadas entre os blocos de texto, sem molduras ou legendas evidentes, aumenta a sensação de caos e urgência que já citei aqui. Penso que esse é um estilo de jornalismo visual de choque.

O impacto estético e histórico

Hoje, essa capa é um documento visual sobre a estética do jornalismo policial e da curiosidade pública. O sensacionalismo gráfico mostra uma imprensa que talvez, não soubesse separar a informação de um espetáculo à comunidade. Visualmente, o resultado é poderoso: uma página densa, quase claustrofóbica, que traduz o espírito de uma época em que o crime, para os capistas, era uma arte tipográfica, com a escolha, aplicação e disposição das letras.

Mais do que uma notícia, a capa de A Tribuna de 1928 é um registro visual da cultura jornalística de outro tempo, quando a palavra impressa tinha o peso de uma imagem, e a imagem, o poder de uma sentença. Rever essa página hoje é entender não apenas um crime, mas também a forma como o jornalismo aprendeu a encenar a tragédia.

90 anos depois

Em 2018, quando o Crime da Mala completou 90 anos, confeccionei uma página relembrando o assunto. Procurei voltar no tempo e levar o leitor ao ano de 1928, com um layout que remetesse aos jornais da época. mas de uma forma sútil, que facilitasse a leitura. 

Com o avanço da tecnologia e dos programas de editoração e edição de imagens, o passado e o presente se encontram.

O tom envelhecido e com marcas de dobras do papel, o sangue ressecado e a utilização de frames antigos para aplicar as fotografias da época, contrastam com a disposição harmônica e limpa dos elementos. O leitor consegue se sentir em 1928 mesmo estando em 2018.