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terça-feira, 24 de março de 2026

Como juntei o Homem-Aranha com o design editorial, narrativa visual e processo criativo


Sempre que desenvolvo uma página temática para o jornal penso em uma forma de equilibrar dois mundos que parecem opostos: a estética ousada do design gráfico e a funcionalidade racional do jornalismo impresso. E pensando dessa forma, criei o layout dedicado ao novo filme do Homem-Aranha, transformando a identidade visual do herói em estrutura editorial.

Minha intenção desde o início era criar uma página que chamasse atenção antes mesmo da leitura, que funcionasse quase como um pôster inserido no meio do jornal. Para isso, deixei de lado o grid tradicional aplicando a máscara do Homem-Aranha como elemento dominador do espaço. O olho da máscara que atravessa a página não é apenas um ornamento. Ela conduz o olhar do leitor, organiza os blocos de informação e confere movimento à página. 

O maior desafio organizar o texto. Em um primeiro momento, apliquei os dois olhos. Mas como o texto era grande, optei por deixar um só, cortado, dando a ideia de algo não mostrado totalmente, assim como o trailer do filme, que apenas revela um pouco do novo filme. Como eu havia escolhido uma forma não convencional para a área gráfica, precisei ajustar o texto para acompanhar a curva da máscara. Esse detalhe é técnico, mas importante: um layout temático só funciona quando texto e imagem conversam; caso contrário, pareceria apenas decoração. 

Também fiz questão de inserir o símbolo da aranha no canto inferior esquerdo. Pequeno, simples, mas emblemático, que funciona como um selo fechando a composição e reforçando a identidade do tema. É o tipo de elemento que não compete com o conteúdo, mas ajuda a completar a narrativa visual da página.

No fim, minha proposta foi criar algo que transpusesse a barreira entre jornal e design gráfico. A página não é apenas informativa. Ela celebra o personagem, reverencia sua iconografia e, ao mesmo tempo, entrega uma experiência de leitura fluida. 

Criar essa página foi também uma chance de experimentar mais liberdade dentro das rígidas estruturas do jornal. E, quando isso acontece, sinto que o design cumpre seu papel de tornar o conteúdo mais expressivo.