Mostrando postagens com marcador design de jornais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador design de jornais. Mostrar todas as postagens

domingo, 15 de fevereiro de 2026

O Primeiro Ouro do Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno nas Capas dos Jornais Brasileiros

O Brasil conquistou sua primeira medalha de ouro em uma edição dos Jogos Olímpicos de Inverno. O norueguês-brasileiro Lucas Pinheiro venceu a prova do slalom gigante no esqui alpino. Até então, a melhor colocação de um brasileiro tinha sido o nono lugar no snowboard cross em 2006.

Apesar desse fato histórico, as capas dos jornais brasileiros de hoje foram bastante frias, ao contrário de quando um atleta brasileiro conquista medalha de ouro nos jogos de verão. Talvez, por estarmos em um país tropical, os jogos de verão fazem parte da cultura do brasileiro há décadas. E assim, a conquista de uma medalha de ouro tende a ser valorizada nas primeiras páginas dos jornais, ganhando destaque e espaço, com fotos gigantes e títulos garrafais e entusiastas. O cenário muda sensivelmente quando se trata dos Jogos Olímpicos de Inverno, ondes o país não tradição em esportes na neve ou no gelo, sendo um participante coadjuvante e improvável. 

As capas de hoje dos jornais brasileiros, ainda que noticiem a inédita medalha, não buscaram, assim como fez Lucas Pinheiro, ir além do tradicional, não ser simples coadjuvante, ser o personagem principal da história. Os jornais poderiam, e deveriam,  criar capas que ficassem para a história. 















quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Como os jornais de Santos destacaram a União Imperial, Campeã no Carnaval de 2026

 A vitória da União Imperial no Carnaval de Santos 2026 ganhou destaque nas capas dos jornais da cidade. A Tribuna, Jornal da Orla e Diário do Litoral utilizaram estratégias diferentes de design editorial, hierarquia visual e composição gráfica para apresentar a mesma notícia, organizando suas capas com decisões de design que reforçam posicionamento editorial.

Diário do Litoral: hierarquia econômica acima do Carnaval



O Diário do Litoral priorizou como manchete principal a ampliação do Porto de Santos. A vitória da União Imperial aparece em posição secundária, ainda que no alto da página. O jornal foi econômico na divulgação da notícia. Mesmo sendo um evento cultural relevante, o Carnaval não organiza a narrativa principal da capa. Mesmo internamente, o notícia ficou acanhada, ainda que abrindo página.

Jornal da Orla: impacto visual e protagonismo do Carnaval



O Jornal da Orla coloca a União Imperial como destaque absoluto em sua capa, com o uso de fotografia em grande escala ocupando ampla área, criando impacto visual imediato. A capa aposta na emoção, espetáculo e identidade cultural. O Carnaval é tratado como o principal acontecimento da cidade. Já internamente, o jornal destinou uma página inteira para a vitória da escola de samba.

A Tribuna: equilíbrio entre o Carnaval e outros assuntos


Em A Tribuna, a União Imperial também tem papel de protagonista, mas com uma abordagem mais estruturada, disputando espaço visual com as demais notícias do dia. A ideia foi combinar emoção e profundidade. A vitória é apresentada como marco histórico, reforçando os 50 anos da escola. Internamente, o jornal destinou uma página dupla ao assunto, mostrando não apenas a campeão do Grupo Especial mas também do Grupo de Acesso, assim como as notas dadas pelos jurados.

domingo, 23 de novembro de 2025

A prisão de Bolsonaro nas capas dos jornais brasileiros

O apagão criativo nas capas sobre a prisão de Jair Bolsonaro

A prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro dominou as capas dos principais jornais brasileiros neste domingo. Mas, do ponto de vista do design editorial, o que se viu foi menos um momento de criatividade jornalística e mais uma repetição quase automática de escolhas visuais previsíveis.
O resultado? Capas corretas, informativas… mas pobres em invenção.

A redundância visual explorada pelos jornais empobrece a experiência do leitor. Quando todas as capas entregam a mesma combinação, desaparece o impacto individual de cada jornal. É como se os veículos tivessem aberto mão da própria voz gráfica. O Globo foi um pouco além. Uma fraca luz no fim do escuro túnel do trivial design de primeira página.

Manchetes que se repetem e mostram o óbvio, o que todos já sabem, o que já está expresso nas fotos: “Bolsonaro é preso pela PF”, “Bolsonaro é preso após queimar tornozeleira”, “Bolsonaro preso”. A manchete faz apenas o básico — descreve o fato, sem interpretação visual, sem metáfora gráfica. Há acontecimentos que pedem impacto visual, outros que pedem impacto verbal. Neste caso, os jornais optaram pela solução mais segura e literal.

Senti falta de detalhes que poderiam gerar leitura dramática, como por exemplo, a foto do ex-presidente com elementos gráficos que construíssem narrativa; recortes, enquadramentos ou fundo para buscar singularidade. Quase todoss seguiram o mesmo esqueleto: foto enorme, manchete direta, submanchete explicando a foto.

A prisão de Bolsonaro é enorme como fato político. Mas as capas não transmitem esse peso. Entregam apenas a superfície factual. Nenhum jornal conseguiu traduzir, graficamente, o impacto histórico do momento. A falta de ousadia visual não é apenas uma questão estética. Ela empobrece o debate público e reduz a capacidade do jornal de interpretar, não apenas informar.

A notícia é gigantesca. O design, hoje, foi pequeno.