Mostrando postagens com marcador Jornalismo visual. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jornalismo visual. Mostrar todas as postagens

domingo, 4 de janeiro de 2026

Uma imagem, duas capas: como os guarás vermelhos ganharam leituras diferentes em A Tribuna e O Estado de S. Paulo


 A mesma fotografia, dois jornais, dois sentidos. O bando de guarás-vermelhos que estampou a capa de A Tribuna no começo do mês passado, foi publicada também na capa de O Estado de S. Paulo de ontem. Uma imagem de divulgação, que é um claro exemplo de como a imagem, sozinha, não determina a narrativa visual de uma primeira página. O que muda é o tratamento editorial: escala, recorte, relação com a tipografia e posição no grid. Nesta comparação, a foto deixa de ser apenas registro da natureza para revelar como projetos gráficos distintos transformam um mesmo clique em mensagens diferentes, refletindo identidades, públicos e intenções editoriais.

Em ambas as capas, a fotografia dos guarás-vermelhos pousados em galhos funciona como símbolo visual central. A imagem tem características muito fortes, como a cor vermelha dominante; a composição diagonal dos galhos criando uma linha ascendente que conduz o olhar; ritmo visual com a repetição das aves ao longo do galho criando cadência e equilíbrio; carga simbólica da natureza, do retorno ambiental, a exceção visual em meio ao noticiário.


Em A Tribuna a foto foi usada para ser a protagonista gráfica. A capa foi pensada a partir da imagem. O enquadramento interfere em todo o layout. A imagem é recortada e reposicionada de forma muito mais agressiva, como se os guarás invadissem as áreas de texto, títulos e chamadas, rompendo o grid tradicional.

A foto deixa de ser contemplativa e passa a ser elemento narrativo ativo, onde os guarás se tornam quase que personagens da capa, e não meramente ilustração, resultando numa ousadia editorial, sobrepondo e dialogando com o restante da capa.



Já no Estadão A imagem ocupa uma grande faixa horizontal central, respeitando o grid tradicional do jornal., não invadindo títulos ou colunas, tendo sua área claramente delimitada entre as chamadas. A fotografia funciona como contraponto visual à densidade textual e à manchete dura., atuando como uma ilha, suavizando o impacto do noticiário político e econômico.

A foto foi usada da forma tradicional, clássica e elegante, seguindo o padrão editorial do jornal.

E vc? Qual capa prefere?

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Capas de jornais de Ano-Novo. As primeiras páginas de 2026

 Começando o novo ano com uma compilação de capas  dos jornais brasileiros. Com layout especial ou não, simples ou ousadas, criativas ou factuais, as primeiras páginas deste 1 de janeiro de 2026.

Em A Tribuna, eu pensava em fazer algo que explorasse o grafismo e as possibilidades do papel. Mas, diante da bela imagem do fotografo Alexsander Ferraz, optei um explorar a foto, deixando-a na página toda, com pouco texto e sem 'firula' alguma, valorizando o fotojornalismo. A ideia foi criar uma capa sensível para fugir do óbvio festivo e apostar no significado, seguindo a narrativa visual da criança brincando na areia e construindo o futuro.




























segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Brigitte Bardot nas capas dos jornais brasileiros

No post anterior coloquei as capas de jornais de vários países, noticiando a morte da atriz francesa Brigitte Bardot.

Agora, é a vez dos jornais brasileiros. Destaque para O Estado de S. Paulo. Uma capa simples, elegante e bem diagramada. A composição com a bela fotografia ficou extremamente harmoniosa e até certo ponto, sensual, representando perfeitamente o que foi Brigitte Bardot.


























Brigitte Bardot. O adeus a um ícone do cinema nas capas dos jornais do mundo

 As primeiras páginas dos jornais do mundo com a morte da atriz francesa Brigitte Bardot, que muito mais do que uma atriz, virou um símbolo de liberdade, sensualidade e ruptura nos anos 1950 e 1960. Ícone do cinema francês, marcou época com personagens que desafiavam os padrões morais de seu tempo. Ela transformou sua fama em ativismo, dedicando a vida à defesa dos direitos dos animais. 

Quando soube da morte da atriz, a minha expectativa era grande em ver as capas dos jornais do mundo inteiro (os jornais brasileiros estão nesse link), principalmente os franceses. Fiquei imaginando como seriam as primeiras páginas, se usariam fotos antigas ou recentes, qual a dimensão que isso teria nas capas.

O Libération fez exatamente o que eu imaginava:  O impacto imediato que causa nos leitores. A capa, tendo como poder absoluto a imagem do close em preto e branco da atriz domina todo o espaço, criando uma presença total e intensa. A foto, de uma beleza simples, reforça a ideia iconográfica do que representava a atriz, culminando em uma capa elegante e poderosa, perpetuando o simbolismo da atriz.

Le Figaro não fica atrás, criando uma primeira página que respira sensualidade.

E o que dizer da capa do L’Humanité? A melhor foto. Diferente de todas as outras, quebrando padrões estéticos em um layout que impacta e incomoda, causando uma leve perturbação ao leitor. 

Um ponto que sempre gera dúvidas na hora da confecção de uma capa com esse assunto é: qual foto usar? Uma imagem de quando a atriz estava no auge, jovem e bela? Uma fotografia mais recente, mostrando que o tempo passa para todos.

A maioria optou pela foto dela jovem. Talvez por querer enaltecer o símbolo sexual, a sensualidade, a beleza da juventude.

Mas alguns jornais fugiram a essa linha. O alemão Der Tagesspiegel, que ao contrário dos demais jornais, usou uma imagem mais recente da atriz, já envelhecida, para ilustrar sua capa. O austríaco Salzburger Nachrichten não perdeu tempo pensando e foi logo aplicando várias imagens da atriz em diferentes épocas da vida. Uma ótima solução para essa questão.

Abaixo, as capas dos jornais espalhados pelo mundo.