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segunda-feira, 27 de abril de 2026

Portuguesa Santista se torna gigante nas capas de A Tribuna

Mais uma vez a Portuguesa Santista vira protagonista do futebol da Baixada Santista, conquistando o título da Série A3 do campeonato paulista e também o acesso à Série A2 em 2027. 

E neste momento, nas capas de A Tribuna, a Briosa recebe tratamento mais que especial. Os títulos da Portuguesa Santista funcionam como um estudo claro de como o design editorial pode transformar um time acanhado financeiramente em protagonista absoluto, ao menos por um dia.

O ponto central destas capas está na intenção do jornal de abandonar qualquer neutralidade e assumir o papel de apoiador, torcedor, com forte apelo emocional. A Portuguesa Santista, tradicionalmente vista como um clube de menor expressão, é elevada ao status de gigante. O design não apenas informa o título, mas o celebra, o eterniza.

Nas edições de 2023, A Tribuna fez construção progressiva. A capa pré-jogo à final da Copa Paulista apostou em blocos nas cores da Briosa,  fortes, com o verde dominante e o vermelho como tensão. O título Jogo do século para a Briosa! não é informativo, mas emocional, feito para inflar o sentimento do torcedor. 


Já no dia seguinte, a conquista veio com a explosão de É CAMPEÃ ocupando o espaço da página de uma forma limpa mas ao mesmo tempo vibrante. O escudo do clube serviu como moldura para a taça erguida e a torcida ao fundo, quase como um símbolo, um ícone religioso. Pura celebração.


Neste ano, na final do Paulista da Série A3, buscamos um refinamento dessa narrativa visual. A capa que antecede o título não ocupou tanto espeço na página, mas buscamos usar um recurso interessante: o gesto de abrir a camisa, revelando o escudo, em uma metáfora direta ao orgulho de torcer para a Portuguesa Santista. O texto reforça essa ideia de entrega e paixão. 

A capa de hoje, o dia seguinte, a conquista ganha tratamento ainda grandioso, com uma composição mais limpa, hierarquia bem definida e a imagem central que privilegia a festa coletiva, com a taça e jogadores em êxtase, tudo sobre os blocos nas cores do times, mas com maior respiro.


A Tribuna procurou entender o público, indo pela linha mais passional e menos racional. A capa deixou de ser apenas uma página, virando uma memória afetiva.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

O Primeiro Ouro do Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno nas Capas dos Jornais Brasileiros

O Brasil conquistou sua primeira medalha de ouro em uma edição dos Jogos Olímpicos de Inverno. O norueguês-brasileiro Lucas Pinheiro venceu a prova do slalom gigante no esqui alpino. Até então, a melhor colocação de um brasileiro tinha sido o nono lugar no snowboard cross em 2006.

Apesar desse fato histórico, as capas dos jornais brasileiros de hoje foram bastante frias, ao contrário de quando um atleta brasileiro conquista medalha de ouro nos jogos de verão. Talvez, por estarmos em um país tropical, os jogos de verão fazem parte da cultura do brasileiro há décadas. E assim, a conquista de uma medalha de ouro tende a ser valorizada nas primeiras páginas dos jornais, ganhando destaque e espaço, com fotos gigantes e títulos garrafais e entusiastas. O cenário muda sensivelmente quando se trata dos Jogos Olímpicos de Inverno, ondes o país não tradição em esportes na neve ou no gelo, sendo um participante coadjuvante e improvável. 

As capas de hoje dos jornais brasileiros, ainda que noticiem a inédita medalha, não buscaram, assim como fez Lucas Pinheiro, ir além do tradicional, não ser simples coadjuvante, ser o personagem principal da história. Os jornais poderiam, e deveriam,  criar capas que ficassem para a história. 















segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Como os jornais de Santos celebraram o aniversário da cidade em suas capas

O aniversário de Santos é sempre motivo de capas festivas e cadernos especiais nos jornais da cidade. E hoje, 26 de janeiro, dia em que o município comemora 480 anos, trago aqui as capas dos três jornais santistas: A Tribuna, Jornal da Orla e Diário do Litoral.

Falando em A Tribuna, a ideia foi criar um conceito solene, comemorativo. Para isso, usei como elemento principal no layout a fotografia. O uso de uma imagem panorâmica, quase icônica da orla de Santos é a protagonista absoluta na capa, sem outras imagens ou personagens humanos em destaque, somente ela, uniformizando a narrativa do aniversário da cidade. A fotografia de Alexsander Ferraz é uma perfeita leitura simbólica da cidade, apresentando o mar, os jardins da praia, os prédios. Um ângulo limpo, iluminado e com profundidade que valoriza a capa e facilita a aplicação de título e texto. Com isso, a manchete ganha destaque mas não disputa espaço com a imagem, servindo quase como uma legenda conceitual. E para arrematar, busquei uma diagramação arejada, respeitando o domínio da fotografia, criando um ritmo comemorativo,  arrematado com a aplicação do selo gráfico no alto da página, a identidade visual do 'suplemento' especial. Foi uma capa menos notícia quente e mais memória histórica.


O Jornal da Orla apresenta uma capa que cria proximidade com a data, com a manchete e a foto principal, do navio Cisne Branco, que veio a Santos justamente devido ao aniversário do município. E uma bela imagem, mas menos representativa da cidade como um todo. A diagramação optou por um layout mais compacto, com mais imagens relacionadas a outros assuntos. Acabou sendo uma primeira página normal, de um dia comum. Cumpre o papel informativo, mas não transforma o aniversário de Santos em ícone visual


Na capa do Diário do Litoral, o aniversário de Santos ocupa um espaço secundário. Uma bela imagem aérea da orla, mas com menor impacto emocional. A foto divide a atenção com outras matérias, não exercendo o papel de protagonista, funcionando como uma ilustração ao tema, que não é nem mesmo o assunto principal do layout, que é bastante fragmentado, com muitos blocos, chamadas e hierarquias concorrendo. Uma capa jornalística, mas fraca como comemorativa.








Design e Memória: Capas Históricas do Jornal A Tribuna no Aniversário da Cidade de Santos

O aniversário da cidade de Santos sempre foi um momento simbólico para a imprensa local, e o jornal A Tribuna desempenha um papel central nesse registro histórico. Ao longo das décadas, suas capas comemorativas não apenas noticiaram a data, mas também refletiram transformações culturais, gráficas e editoriais que acompanharam a evolução da cidade e do próprio design jornalístico.

Nesta compilação, reunis capas de A Tribuna publicadas em diferentes anos no aniversário de Santos, criando um panorama visual que evidencia mudanças de tipografia, uso de cores, fotografia, ilustração e hierarquia da informação. Mais do que um arquivo histórico, o conjunto funciona como um estudo de design editorial, revelando como cada época se expressa graficamente e como o jornal constrói, ano após ano, a memória visual da cidade.

É interessante ver como a própria notícia do aniversário da cidade, ao longo dos anos passa por variações claras de hierarquia visual e peso editorial. Em determinados momentos. a notícia ganha peso editorial, assumindo posição central, com maior área de destaque, títulos em corpos tipográficos ampliados e forte presença iconográfica. Em outros momentos, a data é tratada como informação secundária, com menor escala, posicionamento periférico e menor contraste visual. Essas escolhas refletem decisões editoriais, mudanças na linha gráfica do jornal e o contexto informativo de cada época, evidenciando como a importância simbólica da data é traduzida graficamente na capa.

Abaixo uma compilação de capas de A Tribuna, desde a década de 40 até o dia de hoje, 26 de janeiro de 2026. Destas, tenho muito orgulho de ter diagramado algumas dessas capas históricas.





































 

domingo, 4 de janeiro de 2026

Uma imagem, duas capas: como os guarás vermelhos ganharam leituras diferentes em A Tribuna e O Estado de S. Paulo


 A mesma fotografia, dois jornais, dois sentidos. O bando de guarás-vermelhos que estampou a capa de A Tribuna no começo do mês passado, foi publicada também na capa de O Estado de S. Paulo de ontem. Uma imagem de divulgação, que é um claro exemplo de como a imagem, sozinha, não determina a narrativa visual de uma primeira página. O que muda é o tratamento editorial: escala, recorte, relação com a tipografia e posição no grid. Nesta comparação, a foto deixa de ser apenas registro da natureza para revelar como projetos gráficos distintos transformam um mesmo clique em mensagens diferentes, refletindo identidades, públicos e intenções editoriais.

Em ambas as capas, a fotografia dos guarás-vermelhos pousados em galhos funciona como símbolo visual central. A imagem tem características muito fortes, como a cor vermelha dominante; a composição diagonal dos galhos criando uma linha ascendente que conduz o olhar; ritmo visual com a repetição das aves ao longo do galho criando cadência e equilíbrio; carga simbólica da natureza, do retorno ambiental, a exceção visual em meio ao noticiário.


Em A Tribuna a foto foi usada para ser a protagonista gráfica. A capa foi pensada a partir da imagem. O enquadramento interfere em todo o layout. A imagem é recortada e reposicionada de forma muito mais agressiva, como se os guarás invadissem as áreas de texto, títulos e chamadas, rompendo o grid tradicional.

A foto deixa de ser contemplativa e passa a ser elemento narrativo ativo, onde os guarás se tornam quase que personagens da capa, e não meramente ilustração, resultando numa ousadia editorial, sobrepondo e dialogando com o restante da capa.



Já no Estadão A imagem ocupa uma grande faixa horizontal central, respeitando o grid tradicional do jornal., não invadindo títulos ou colunas, tendo sua área claramente delimitada entre as chamadas. A fotografia funciona como contraponto visual à densidade textual e à manchete dura., atuando como uma ilha, suavizando o impacto do noticiário político e econômico.

A foto foi usada da forma tradicional, clássica e elegante, seguindo o padrão editorial do jornal.

E vc? Qual capa prefere?