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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

O impacto visual da silhueta no design editorial da capa de A Tribuna


 As capas dos jornais brasileiros desta quarta-feira têm um ponto em comum: o vazamento de mensagens envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. O assunto virou uma das principais histórias do dia e era claro que seria manchete nas capas de hoje.

VEJA NO LINK AS CAPAS DOS JORNAIS BRASILEIROS DE HOJE

Em A Tribuna, optamos por um design diferente para fugir do comum. Apostamos em uma solução visual bastante forte: uma fotografia única, tratada graficamente como silhueta, funcionando praticamente como toda a capa. Procuramos com isso ter resultado é dramático, direto e coerente com a natureza da notícia. Algo como sombrio, escuro, não tão claro e definido.

Assim, pensamos em dar à fotografia o peso que ela merece, tornando-a o mérito visual da capa. Em vez de utilizar duas fotografias (uma de cada personagem), ou mesmo uma montagem convencional, optamos uma única imagem composta pela silhueta do ministro, abrangendo praticamente a capa toda, em uma solução visual muito mais conceitual do que ilustrativa.

A ausência de detalhes no rosto de Moraes é significativa e proposital. A silhueta é reconhecível. O layout não depende da identificação fotográfica convencional. O leitor reconhece os personagens pela forma e, principalmente, pela informação textual. O preto da silhueta cria ainda uma atmosfera de mistério, tensão e gravidade, bastante adequada a uma notícia envolvendo mensagens, relações e investigação.

Escolhida a imagem e o conceito, optamos por distribuir todo o material editorial do tema (manchete, texto e frases) dentro da silhueta, tomando o cuidado para não poluir visualmente e manter a hierarquia, criando uma espécie de três zonas de informação: manchete e linha, texto, frases.

Dessa maneira a fotografia deixou de ser apenas uma ilustração para o layout, mas integrou perfeitamente a narrativa visual da capa.

Na minha modesta opinião, eu acho que essa capa é eficiente porque não há excessos. Nada tenta competir com nada. Tudo se integra. A grande silhueta ocupa praticamente toda a área editorial disponível e estabelece uma enorme área de preto, interrompida apenas pelos textos brancos, criando a relação clássica de alto contraste preto × branco.

Creio que conseguimos criar uma capa com forte impacto visual e boa síntese editorial, onde o acerto está na integração entre manchete + imagem + conceito.

domingo, 2 de agosto de 2026

Design editorial de jornal. A Tribuna e o especial Heroes Premiere Beach Tennis

Criar uma série de páginas com uma pegada especial para jornal exige muito mais do que organizar textos e fotografias. Neste projeto desenvolvido para A Tribuna, cada página sobre o torneio Heroes Premiere Beach Tennis foi pensada para construir uma narrativa visual consistente, explorando tipografia, recortes fotográficos, texturas e hierarquia da informação. Neste post, apresento um pouco dos bastidores do projeto gráfico e as decisões de design que deram identidade às páginas.

A ideia foi desenvolver uma identidade para todas as seis páginas da série, inspirada no próprio universo da modalidade. Para isso, fiz uso  recorrente da textura de areia. Ela se tornou o recurso principal dos layouts, criando uma relação comum entre as páginas. Isso é algo que muitas séries especiais erram ao fazer com que cada página fique parecendo de um jornal diferente. A intenção foi não deixar isso acontecer. A identidade fica clara em todas as edições.

O principal desafio foi criar ritmo aos layouts, evitando repetição. Assim, cada página, ainda que tenha a mesma identidade visual, apresenta composições diferentes que buscam prender a atenção do leitor. Ao longo da série, cada abertura recebeu uma solução gráfica própria, evitando a repetição de layouts e criando um ritmo de leitura agradável. Embora diferentes entre si, todas mantêm uma linguagem visual consistente, reforçando a unidade do caderno e conduzindo o leitor por uma sequência de informações organizada e equilibrada.

Com relação às imagens, o uso de fotos recortadas foi proposital para dar a impressão de que os personagens estão invadindo a página, como se estivessem em uma praia, pisando a areia. Para que o layout tivesse boa leitura e não ficasse com aspecto de pesado e massudo, procurei deixar espaços vazios, meio como uma praia mesmo, com áreas de respiro. No design editorial, cada escolha tem um propósito. O tamanho das fotografias, a hierarquia dos títulos, os espaços em branco e a distribuição dos elementos influenciam diretamente a experiência de leitura. Mais do que tornar a página atraente, o projeto gráfico deve facilitar a compreensão da informação e despertar o interesse pelo conteúdo.

De alguma forma, todas as páginas fazem forte referência ao beach tennis. A quadra, a raquete como fundo para o texto, a bolinha como identidade seja para texto, foto ou destaques, ou a silhueta dos atletas ancorar o texto.

Projetos como este me fazem acreditar que o jornal impresso continua sendo um espaço privilegiado para explorar soluções criativas de diagramação, fotografia e tipografia. Quando texto e design trabalham em sintonia, o resultado ultrapassa a função informativa e transforma a leitura em uma experiência visual.








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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Capas dos jornais argentinos emocionam ao agradecer a seleção após derrota na Copa do Mundo

Capas dos jornais argentinos após a derrota na Copa do Mundo.

A derrota da Argentina na Copa do Mundo não foi retratada pelos jornais do país como um fracasso, mas como o encerramento de uma campanha digna de aplausos. As capas publicadas no dia seguinte surpreendem pelo tom de gratidão, onde em vez de críticas, predominam mensagens de reconhecimento aos jogadores e à comissão técnica, que conquistaram o respeito e o carinho da torcida durante toda a competição.

Do ponto de vista do design editorial, a emoção fala mais alto que o resultado. Fotografias dos atletas abatidos dividem espaço com manchetes como Gracias e outras expressões de orgulho, reforçadas por layouts limpos, pouco texto e imagens em destaque. A escolha gráfica evidencia que, naquele momento, o principal objetivo dos jornais era homenagear uma equipe que lutou até o fim, transformando a derrota em um capítulo de união nacional. Neste post, publico as capas dos jornais argentinos, onde fica claro a utilização do design para transmitir respeito, emoção e gratidão, mostrando que uma capa também pode ser um gesto de reconhecimento.

















domingo, 19 de julho de 2026

Como os jornais espanhóis celebraram o título da Espanha na Copa 2026

Espanha venceu a Argentina e conquistou a Copa do Mundo de 2026. São estes momentos que fazem com que os capistas tenham liberdade para criar layouts especiais, diferentes, históricos.

Neste post não vou analisar as capas, dizer que poderiam ter sido melhores, mais ousadas, mais criativas. Até porque, sempre acho que os capistas ligam o piloto automático e acabam utilizando a famosa foto da comemoração, do time todo, com o troféu na mão e papeis picado caindo sobre suas cabeças. São escolhas gráficas e editoriais que já estão incrustradas nas redações. Confesso que eu tentaria fazer diferente, mas não sei se conseguiria fugir dessa linha.

Como os jornais brasileiros retrataram o título da Espanha


Então, faço aqui uma compilação de primeiras páginas dos jornais espanhóis, reforçando o papel de documento da história que os jornais possuem.































segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Carnaval na Coluna Social de A Tribuna

 As colunas sociais de Carnaval representam um dos momentos mais vibrantes do design editorial no jornal impresso. É o momento em que nós, diagramadores, podemos usar cores intensas, tipografias expressivas, fotografias em destaque e elementos gráficos festivos que transformam a diagramação tradicional em um verdadeiro espetáculo visual.

Neste ano, confeccionei cinco colunas seguidas para o jornal A Tribuna. Uma para o Leonardo Delfino, duas para Marcio Barbuy e duas para Cristina Guedes. Cada colunista tem uma linguagem diferente e um público próprio.

O desafio é não ser repetitivo, buscando sempre criar algo diferente mas que siga a linha carnavalesca. Pensar em um layout, ainda que festivo, mas sem esquecer que é um produto editorial. A hierarquia visual e a construção gráfica das páginas sociais não são apenas registros fotográficos, mas também identidade, pertencimento e memória coletiva.

As páginas de Carnaval das colunas sociais revelam muito mais do que rostos sorridentes e registros festivos. Elas constroem uma narrativa visual sobre pertencimento, espetáculo e identidade local. No conjunto da obra, o que se percebe é um projeto gráfico que abraça o excesso — mas um excesso calculado, coerente com o espírito da festa.

Carnaval como linguagem visual

Quando criei as páginas,  a ideia foi que o primeiro aspecto que saltasse aos olhos fosse o uso explícito de elementos gráficos carnavalescos: máscaras, serpentinas, confetes, plumas, explosões de cor e tipografias sinuosas. Esses elementos não aparecem apenas como enfeite, mas como parte estrutural da página. Eles ocupam áreas centrais, invadem margens, criam molduras e ajudam a conduzir o olhar.

A intenção foi clara: romper com a sobriedade tradicional do jornal impresso. O fundo branco, característico das páginas editoriais, é tensionado por cores vibrantes — magentas, amarelos, verdes e azuis saturados — que criam contraste e dinamismo. O Carnaval  se torna  a própria lógica estética da diagramação.



A centralidade da imagem

O ponto principal de uma coluna social é a imagem, a supremacia da fotografia. Para isso, procurei criar as páginas quase como se fossem álbuns sociais diagramados, deixando o texto como apoio,  mas tendo as imagens como personagens principais da narrativa.

Nessa linha, segui  três estratégias recorrentes:

  1. Fotos em destaque central, geralmente maiores, que funcionam como âncoras visuais.

  2. Colagens com molduras inclinadas, remetendo a álbuns pessoais ou redes sociais.

  3. Recortes com fundo vazado, que aproximam os personagens do leitor e eliminam a rigidez da caixa retangular tradicional.

Acredito que essa diversidade cria ritmo. O leitor não percorre a página de forma linear; ele passeia por ela.



Tipografia: entre o festivo e o editorial

Outro quesito crucial na elaboração das páginas é a escolha tipográfica. Busquei usar os títulos principais com fontes mais expressivas, curvas, com sombra ou contorno. Já os textos corridos e legendas mantêm fontes limpas e legíveis, preservando a natureza jornalística. A ideia foi criar equilíbrio que impede que a página descambe para o amadorismo. Mesmo com brilho, plumas e explosões gráficas, ainda se trata de jornal.

O discurso visual do pertencimento

As imagens reforçam um aspecto essencial da coluna social: reconhecimento. Não são celebridades distantes, mas figuras locais, empresários, casais, autoridades, amigos. O enquadramento quase sempre é frontal, com sorriso direto para a câmera. Isso cria proximidade. O Carnaval aparece como cenário legitimador. A camisa temática, o camarote identificado, a passarela do samba ao fundo — tudo funciona como selo simbólico de participação em um evento importante da cidade.Visualmente, a mensagem é clara: estar ali é pertencer.

Excesso como estratégia

Do ponto de vista do design, apostei no conjunto do preenchimento intenso do espaço. Como um salão onde ocorre o baile, o camarote cheio, a passarela lotada. Raramente há áreas de respiro generosas. Confetes e grafismos ocupam cantos, molduras e intervalos. É uma escolha consciente que visa, no contexto carnavalesco, comunicar energia, movimento, calor humano. Funciona quase como tradução gráfica do som alto, da bateria, da multidão.

Jornal impresso dialogando com estética digital

Outro ponto que busquei foi a aproximação com a linguagem das redes sociais. Fotos recortadas, molduras inclinadas, colagens e cores vibrantes dialogam com a estética do feed digital. A coluna social impressa entende que disputa atenção com telas — e responde a isso com impacto visual. A ideia é tornar o impresso tão instagramável quanto o próprio evento que cobre.

No conjunto, acredito que as páginas constroem um produto visualmente coerente com o espírito do Carnaval: vibrante, afetivo, expansivo. Não há neutralidade estética. A diagramação assume o clima da festa e o transforma em linguagem gráfica. Mais do que registrar foliões, essas colunas constroem memória social. Cada foto, cada legenda, cada nome publicado reforça vínculos e projeta status.

Visualmente, o Carnaval não está apenas nas imagens. Está na estrutura, na cor, na tipografia e na ocupação do espaço. É jornalismo social entendido como espetáculo gráfico — e, dentro dessa proposta, o conjunto se mantém consistente, reconhecível e alinhado ao tema.