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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Carnaval na Coluna Social de A Tribuna

 As colunas sociais de Carnaval representam um dos momentos mais vibrantes do design editorial no jornal impresso. É o momento em que nós, diagramadores, podemos usar cores intensas, tipografias expressivas, fotografias em destaque e elementos gráficos festivos que transformam a diagramação tradicional em um verdadeiro espetáculo visual.

Neste ano, confeccionei cinco colunas seguidas para o jornal A Tribuna. Uma para o Leonardo Delfino, duas para Marcio Barbuy e duas para Cristina Guedes. Cada colunista tem uma linguagem diferente e um público próprio.

O desafio é não ser repetitivo, buscando sempre criar algo diferente mas que siga a linha carnavalesca. Pensar em um layout, ainda que festivo, mas sem esquecer que é um produto editorial. A hierarquia visual e a construção gráfica das páginas sociais não são apenas registros fotográficos, mas também identidade, pertencimento e memória coletiva.

As páginas de Carnaval das colunas sociais revelam muito mais do que rostos sorridentes e registros festivos. Elas constroem uma narrativa visual sobre pertencimento, espetáculo e identidade local. No conjunto da obra, o que se percebe é um projeto gráfico que abraça o excesso — mas um excesso calculado, coerente com o espírito da festa.

Carnaval como linguagem visual

Quando criei as páginas,  a ideia foi que o primeiro aspecto que saltasse aos olhos fosse o uso explícito de elementos gráficos carnavalescos: máscaras, serpentinas, confetes, plumas, explosões de cor e tipografias sinuosas. Esses elementos não aparecem apenas como enfeite, mas como parte estrutural da página. Eles ocupam áreas centrais, invadem margens, criam molduras e ajudam a conduzir o olhar.

A intenção foi clara: romper com a sobriedade tradicional do jornal impresso. O fundo branco, característico das páginas editoriais, é tensionado por cores vibrantes — magentas, amarelos, verdes e azuis saturados — que criam contraste e dinamismo. O Carnaval  se torna  a própria lógica estética da diagramação.



A centralidade da imagem

O ponto principal de uma coluna social é a imagem, a supremacia da fotografia. Para isso, procurei criar as páginas quase como se fossem álbuns sociais diagramados, deixando o texto como apoio,  mas tendo as imagens como personagens principais da narrativa.

Nessa linha, segui  três estratégias recorrentes:

  1. Fotos em destaque central, geralmente maiores, que funcionam como âncoras visuais.

  2. Colagens com molduras inclinadas, remetendo a álbuns pessoais ou redes sociais.

  3. Recortes com fundo vazado, que aproximam os personagens do leitor e eliminam a rigidez da caixa retangular tradicional.

Acredito que essa diversidade cria ritmo. O leitor não percorre a página de forma linear; ele passeia por ela.



Tipografia: entre o festivo e o editorial

Outro quesito crucial na elaboração das páginas é a escolha tipográfica. Busquei usar os títulos principais com fontes mais expressivas, curvas, com sombra ou contorno. Já os textos corridos e legendas mantêm fontes limpas e legíveis, preservando a natureza jornalística. A ideia foi criar equilíbrio que impede que a página descambe para o amadorismo. Mesmo com brilho, plumas e explosões gráficas, ainda se trata de jornal.

O discurso visual do pertencimento

As imagens reforçam um aspecto essencial da coluna social: reconhecimento. Não são celebridades distantes, mas figuras locais, empresários, casais, autoridades, amigos. O enquadramento quase sempre é frontal, com sorriso direto para a câmera. Isso cria proximidade. O Carnaval aparece como cenário legitimador. A camisa temática, o camarote identificado, a passarela do samba ao fundo — tudo funciona como selo simbólico de participação em um evento importante da cidade.Visualmente, a mensagem é clara: estar ali é pertencer.

Excesso como estratégia

Do ponto de vista do design, apostei no conjunto do preenchimento intenso do espaço. Como um salão onde ocorre o baile, o camarote cheio, a passarela lotada. Raramente há áreas de respiro generosas. Confetes e grafismos ocupam cantos, molduras e intervalos. É uma escolha consciente que visa, no contexto carnavalesco, comunicar energia, movimento, calor humano. Funciona quase como tradução gráfica do som alto, da bateria, da multidão.

Jornal impresso dialogando com estética digital

Outro ponto que busquei foi a aproximação com a linguagem das redes sociais. Fotos recortadas, molduras inclinadas, colagens e cores vibrantes dialogam com a estética do feed digital. A coluna social impressa entende que disputa atenção com telas — e responde a isso com impacto visual. A ideia é tornar o impresso tão instagramável quanto o próprio evento que cobre.

No conjunto, acredito que as páginas constroem um produto visualmente coerente com o espírito do Carnaval: vibrante, afetivo, expansivo. Não há neutralidade estética. A diagramação assume o clima da festa e o transforma em linguagem gráfica. Mais do que registrar foliões, essas colunas constroem memória social. Cada foto, cada legenda, cada nome publicado reforça vínculos e projeta status.

Visualmente, o Carnaval não está apenas nas imagens. Está na estrutura, na cor, na tipografia e na ocupação do espaço. É jornalismo social entendido como espetáculo gráfico — e, dentro dessa proposta, o conjunto se mantém consistente, reconhecível e alinhado ao tema.


domingo, 7 de dezembro de 2025

Três capas de jornais que enriquecem o domingo

 A análise visual de capas de jornais é uma das ferramentas mais importantes para compreender como o design editorial influencia diretamente a leitura, a percepção da notícia e a força comercial de uma publicação. E o domingo é o dia perfeito para essa função. Afinal, é quando os jornais publicam reportagens especiais que demandam maior tempo de leitura, criam layouts diferentes e criativos para prender a atenção do leitor.

E a primeira página de um jornal impresso de domingo ganha um peso maior, com a função de revelar ao leitor o conteúdo da publicação, atraindo-o através da criatividade, da ousadia, do cuidado visual.

Nesse breve posto, observamos três capas publicadas hoje onde é possível visualizar  como os elementos  hierarquia visual, grid, tipografia, cores e contraste e mancha gráfica são utilizados para construir impacto, organizar a informação e dialogar com diferentes públicos.

Três capas de jornais brasileiros de estados diferentes do País. Sob o ponto de vista do design gráfico editorial, destaque para soluções visuais, escolhas estéticas e estratégias de composição que interferem diretamente na leitura em banca e na experiência do leitor. 


Folha de Pernambuco (PE) – A origem da devoção


Predomínio absoluto da imagem, ocupando toda a capa, com sobreposição de elementos gráficos e transparências. Essa aplicação revela uma linguagem visual com forte apelo artístico e simbólico. A tipografia discreta e funcional, em segundo plano, dá força à imagem. O uso das cores azuis, dourados e tons quentes, criam contraste entre o sagrado e a vibração popular. Uma capa conceitual, mais contemplativa do que informativa, com foco na emoção e na fé.


O Povo (CE) – Para onde Leão XIV começa a levar a Igreja?



Um visual impactante que prende a atenção dos leitores, construído em uma estrutura vertical clássica, com grande área em respiro ao redor do título central. A referência direta à iluminura medieval e arte sacra, com ornamentos detalhados, embelezam e dão requinte à página, criando um layout que se assemelha à capa de um livro. A tipografia tem papel importante e a fonte serifada propiciou uma melhor definição da hierarquia do layout, gerando forte peso editorial à capa, ainda mais com a escolha da paleta de cores envelhecida, com tons terrosos, verdes, dourados e vermelhos, transmitindo tradição e solenidade. É uma capa com forte apelo institucional, histórica e solene, visualmente ligada à tradição e à autoridade religiosa.

A Tribuna (SP) – Os Guarás Vermelhos de Bertioga



Não é a manchete e nem mesmo, uma das principais chamadas da capa. Mas a composição da imagem dos Guarás Vermelhos valorizou a capa de hoje de A Tribuna, que diferente dos modelos acima, manteve a estrutura tradicional de um jornal. com blocos de elementos visuais bem definidos e múltiplas chamadas em sua página. O uso de fotografia recortada dos guarás atravessando o layout, criou um movimento diagonal e deu dinamismo visual à capa. O alto contraste das cores vibrantes enriqueceu o produto, onde a hierarquia das chamadas fica clara, de fácil leitura. É uma capa informativa mas não estática, e sim dinâmica, com leitura rápida, áreas de respiro e um forte apelo visual direto.

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

A guerra no Rio de Janeiro nas capas dos jornais brasileiros

 Como o design editorial retratou a violência e o caos no Rio de Janeiro

As primeiras capas de hoje dos jornais brasileiros retratam o clima de guerra que paira sobre a cidade do Rio de Janeiro. A busca da polícia por integrantes de facções criminosas foi a mais letal na história do município. Imagens da guerra urbana estampam as primeiras páginas, do norte ao sul do País.

Do ponto de vista do design editorial, esse momento gera um vasto e potente material para traduzir visualmente nos impressos o impacto da violência urbana. 

As capas priorizam fotografias de grande impacto, mostrando carros incendiados, ruas destruídas e forças policiais em ação. Essas imagens não apenas ilustram — elas dominam a narrativaA composição visual dispensa explicações longas. O leitor sente o caos antes mesmo de ler o título. 

Os títulos aplicados em caixa alta, com fontes robustas e densas,  criam uma linguagem visual de urgência, transmitindo a gravidade do momento.

Mas o grande protagonista das capas é o fotojornalismo. Imagens diretas, de ação e devastação, tem o poder de falarem por si só. A escolha das fotografias constrói um discurso visual que abrange o País todo, onde a mesma tragédia é vista por diferentes lentes, mas com impacto semelhante.

As capas de hoje constroem um retrato visual da violência urbana brasileiraO fato de jornais de diferentes regiões usarem fotos semelhantes e títulos parecidos mostra como a edição de uma capa cria uma identidade jornalística nacionalO país inteiro viu a mesma imagem  e reagiu de forma coletiva.